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sábado, 8 de novembro de 2025

Escrito por em 8.11.25 com 0 comentários

Rogue One / Andor

Quando a Disney comprou a Lucasfilm, a promessa era de que, além de produzir os Episódios VII, VIII e IX, ela faria outros filmes para o cinema ambientados no universo de Star Wars, principalmente para preencher o espaço entre os episódios III e IV. Após apenas dois filmes, parece que essa promessa foi abandonada em prol da produção de séries para o Disney+. Pelo menos, logo o primeiro desses dois filmes é um dos melhores - para muitos, o melhor - filme de Star Wars, então alguma coisa boa parece ter saído daí. Já faz algum tempo que eu quero falar sobre esse filme, e decidi que o dia seria hoje. Hoje é dia de Rogue One no átomo!

A ideia de Rogue One partiria de John Knoll, um dos criadores do Adobe Photoshop e supervisor dos efeitos especiais dos Episódios I, II e III. O ano era 2003, A Vingança dos Sith estava sendo filmado em Sydney, Austrália, e a Lucasfilm havia acabado de anunciar uma série de TV, com o título provisório de Star Wars: Underworld, cujos episódios não seriam necessariamente ligados uns aos outros, mas seriam todos ambientados entre os Episódios III e IV. George Lucas tinha grandes planos para essa série, mas não queria que ela fosse uma série de ação, e sim "uma novela cheia de diálogos", chegando a dizer em um comunicado oficial que "se Star Wars é inspirado nos filmes de aventura dos anos 1930, Underworld será inspirado nos filmes noir dos anos 1940"; ele também planejava que alguns episódios fossem estrelados por personagens de sucesso dos filmes, como Han Solo, Chewbacca, Lando Calrissian, Boba Fett, C-3PO, e até mesmo o Imperador Palpatine, se possível interpretados por seus atores originais. A série acabaria cancelada antes mesmo de entrar em produção porque, para os padrões da época, ela seria caríssima, e nenhum canal aceitaria investir nela; antes do cancelamento, porém, cerca de 50 roteiros seriam escritos, e bastante arte conceitual seria produzida.

Um desses roteiros, chamado Destroyer of Worlds ("destruidor de mundos"), seria escrito por Knoll em 2005, após ele apresentar a ideia a Lucas durante as filmagens do Episódio III. Knoll não tinha experiência como roteirista, porém, e seu roteiro seria considerado apenas um rascunho, que seria reescrito por Ronald D. Moore quando a série efetivamente entrasse em produção. Como isso jamais aconteceu, Knoll manteria o controle criativo sobre sua ideia, que decidiria apresentar diretamente à Disney em 2012, pouco depois de ela comprar a Lucasfilm. Segundo Knoll, assim que a compra foi concretizada, ele pensaria "tenho que apresentar a ideia agora, ou passar o resto da vida imaginando o que teria acontecido se eu tivesse".

Inicialmente, a Disney tinha planos apenas para os Episódios VII, VIII e IX, mas, após ouvir a ideia de Knoll, decidiria olhar os demais roteiros jamais produzidos para Underworld, e veria ali a excelente oportunidade de fazer não uma série de TV, mas uma série de filmes ambientados entre os Episódios III e IV - até mesmo a ideia de Han Solo: Uma História Star Wars viria de um dos roteiros de Underworld, para um episódio que contava como Han Solo ganhou a Millenium Falcon em uma aposta com Lando Calrissian. A Disney compraria a ideia de Knoll, mudaria o título para Rogue One, e começaria a pré-produção do filme quase que imediatamente, já colocando no anúncio oficial da compra da Lucasfilm que ele seria o primeiro filme de Star Wars ambientado fora da "Saga Skywalker".

Parêntese. Rogue, em inglês, significa algo como "desgarrado", costuma ser traduzido como "fora-da-lei", e é um termo usado quando o integrante de uma equipe desrespeita ordens diretas de seus comandantes e age sozinho, tomando suas próprias decisões - são comuns na ficção histórias de agentes do governo que, percebendo que suas ordens vão causar mais dano que benefícios, decidem to go rogue e agir por sua própria conta, normalmente revelando que seus chefes eram corruptos e foi melhor assim. O nome do filme, Rogue One, é também o nome da equipe que o estrela, que decide agir por sua própria conta após o que considera inação do comando da Aliança Rebelde, e acaba sendo responsável por uma das maiores vitórias dos rebeldes contra o Império. Fecha parêntese.

Em maio de 2014, a Disney anunciaria Gareth Edwards, de Godzilla, como diretor do filme, e Gary Whitta, de O Livro de Eli e Depois da Terra, como roteirista. Em janeiro de 2015, Whitta diria ter entregado a primeira versão do roteiro, mas que, por interferência criativa, não estava mais envolvido com o projeto. A Disney consideraria contratar Simon Kinberg, dos filmes dos X-Men, para reescrever o roteiro de Whitta, mas acabaria fechando com Chris Weitz, de FormiguinhaZ e Um Grande Garoto.

Edwards declararia em entrevistas "estar fazendo um filme de guerra", no qual a realidade nua e crua de um conflito seria mostrado; segundo ele, na guerra "personagens bons são maus, personagens maus são bons, é complicado, cheio de camadas, e um cenário muito rico para um filme". Para diferenciar seu filme dos demais de Star Wars, ele optaria por não incluir o tradicional opening crawl, aquele texto que vai subindo na tela explicando os eventos que levaram a história até ali, nem usar screen wipes, aquele recurso no qual, ao passar de uma cena para a outra, parece que a tela está sendo jogada para o lado aos poucos ou passando por dentro de um buraco. Achando que a Disney não aceitaria que o filme tivesse um final trágico, Edwards pediria a Weitz um final feliz; após ver o tom imposto pelo diretor ao filme, entretanto, os produtores Kathleen Kennedy, Allison Shearmur e Simon Emanuel concluiriam que um final feliz destoaria, e poderia até prejudicar o filme. Edwards, então, trabalharia com Weitz para criar a versão que ele achava mais coerente para o final, com a originalmente escrita jamais chegando a ser filmada.

O filme mostra como os rebeldes conseguiram os planos de construção da Estrela da Morte - aqueles que estão sendo levados pela Princesa Leia quando sua nave é abordada por Darth Vader, fazendo com que ela os esconda em R2-D2 para enviá-los até Obi-Wan Kenobi em Tatooine - segundo o opening crawl do Episódio IV, "a primeira grande vitória da Aliança Rebelde contra o Império". Ele acompanha um improvável grupo formado por Jyn Erso (Felicity Jones), filha de Galen Erso (Mads Mikkelsen), engenheiro obrigado pelo Império a trabalhar no projeto da Estrela da Morte, e protegida do famoso guerrilheiro Saw Gerrera (Forest Whitaker); Cassian Andor (Diego Luna), designado pela Aliança Rebelde para a missão, acompanhado de seu dróide K-2SO (Alan Tudyk); Chirrut Imwe (Donnie Yen), misterioso guerreiro cego que diz conseguir se localizar e se guiar pela Força, e seu colega, o guerreiro Baze Malbus (Jiang Wen); e Bodhi Rook (Riz Ahmed), ex-transportador de cargas do Império convencido a desertar por Galen. O principal antagonista é Orson Krennic (Ben Mendelsohn), diretor do departamento de pesquisa de armas avançadas do Império. Também participam do filme o Senador Bail Organa (Jimmy Smits), Mon Mothma (Genevieve O'Reilly), os dróides C3-PO (Anthony Daniels) e R2-D2, e Darth Vader, mais uma vez dublado por James Earl Jones, mas com os dublês Spencer Wilding e Daniel Naprous vestindo seu uniforme em diferentes cenas.

As filmagens começariam em Londres, nos famosos Estúdios Pinewood, em agosto de 2015. Os sets de filmagens eram enormes, e muitos deles imitavam locais onde foram filmadas cenas externas, para que partes dessas cenas pudessem ser filmadas de forma mais controlada. Várias das cenas externas também seriam filmadas em Londres, com a base aérea do Império sendo a antiga base aérea da RAF em Bovington, e uma cena na qual os rebeldes se infiltram em uma base imperial sendo filmada na estação de metrô de Canary Wharf, durante a madrugada, quando ela estava fechada ao público. A maioria das outras externas seriam filmadas na Islândia e nas Malvinas; as cenas no planeta Jedah seriam filmadas em Wadi Rum, na Jordânia, e em Masada, Israel. A escolha de Londres para as filmagens se daria devido a incentivos fiscais, que resultariam em uma economia de quase 50 milhões de dólares para a Disney.

Em fevereiro de 2016, a Disney anunciaria que o filme estava concluído, mas, em maio, seria anunciado que o filme teria cinco semanas de refilmagens a partir de junho, com cenas reescritas ou adicionadas por Tony Gilroy, da Trilogia de Jason Bourne, que também atuaria como diretor dessas cenas. Sob orientação de Edwards, Gilroy também supervisionaria a edição do filme, solucionando vários "problemas" com os quais o diretor estava descontente. Gilroy acabaria sendo considerado por muitos como o principal responsável pelo sucesso do filme, mas receberia da Disney apenas 5 milhões de dólares, substancialmente menos que Edwards e Weitz. Apenas Edwards seria creditado como diretor, mas Weitz e Gilroy seriam creditados como roteiristas, com Knoll e Whitta sendo creditados como criadores da história. Edwards diria que Christopher McQuarrie, Scott Z. Burns e Michael Arndt também contribiriam para o roteiro em diversas fases da produção, mas não receberiam crédito.

Os efeitos especiais ficariam integralmente a cargo da Industrial Light & Magic, que se envolveria em uma polêmica ao tornar possível a participação de Peter Cushing, falecido em 1994, como o Grand Moff Tarkin, mesmo papel que ele interpretou no Episódio IV. Após obter autorização da família de Cushing para o uso da imagem do ator, a Disney contratou Guy Henry, de Harry Potter e as Relíquias da Morte e Roma, para interpretar o personagem e falar seu diálogo. Henry estudaria os filmes de Cushing para imitar seus maneirismos, incluindo sua forma de falar, e conseguria imitar a voz de Cushing; durante a pós-produção, um modelo digital de Cushing seria aplicado às imagens de Henry como se fosse uma capa, digitalmente transformando Henry em Cushing. Outra cena que usaria uma técnica parecida, mas criaria menos polêmica, talvez por Carrie Fisher ainda estar viva na época, foi a da Princesa Leia, na qual a face de Fisher substituiria digitalmente a da atriz Ingvild Deila na pós-produção; como Deila não conseguia imitar a voz de Fisher, que já estava diferente devido à idade, a ILM usaria um arquivo de uma fala de Fisher gravada para o Episódio IV. Também vale ser citada a cena na qual Darth Vader enfrenta os rebeldes, totalmente criada por computação gráfica, sem que nenhum ator fosse filmado para ela.

Rogue One: Uma História Star Wars teria pré-estreia em Los Angeles em 10 de dezembro de 2016 e estreia mundial em 14 de dezembro, exceto nos Estados Unidos, onde estrearia em 16 de dezembro, e na China, onde estrearia em 6 de janeiro de 2017. Com orçamento não divulgado, mas calculado entre 200 e 280 milhões de dólares, renderia quase 535 milhões somente nos Estados Unidos e quase 524 milhões no resto do planeta, para uma bilheteria total de 1,059 bilhão de dólares, se tornando o segundo filme mais assistido do ano, atrás apenas de Capitão América: Guerra Civil. A crítica seria bastante positiva, elogiando principalmente sua estética e sua narrativa e a forma como ele complementa o Episódio IV mesmo tendo um estilo e personagens totalmente diferentes. Em uma entrevista, George Lucas diria ter gostado muito mais de Rogue One do que do episódio VII, ao que Edwards respondeu "agora posso morrer feliz".

De forma surpreendente, dois temas presentes no filme bastante comentados e elogiados foram a ética na engenharia, com a falha no projeto da Estrela da Morte sendo introduzida de forma deliberada por Galen Erso para que o Império, que o obrigou a trabalhar no projeto, não pudesse usá-la para dominar a galáxia, e a veracidade da experiência militar, com militares que assistiram o filme se dizendo impressionados com o realismo com o qual o interior das naves espaciais é retratado em relação ao interior de veículos militares atuais, e como o comportamento do esquadrão em batalha de fato espelha a experiência de soldados norte-americanos enviados para missões no exterior. O filme seria indicado a dois Oscars, de Melhor Mixagem de Som e Melhores Efeitos Especiais.

Quase um ano após a estreia de Rogue One nos cinemas, a Disney anunciaria que estava desenvolvendo séries com atores (sem ser de animação) para estreia no Disney+, sem dar mais detalhes sobre seus enredos ou personagens. Em 2018, o CEO da Disney, Bob Iger, confirmaria que uma dessas séries seria um thriller de espionagem estrelado por Cassian Andor, com Luna já tendo assinado para duas temporadas; essa série seria ambientada antes dos eventos de Rogue One, e mostraria a formação da Aliança Rebelde, como Andor se uniu à causa, e por que ele foi enviado a essa missão. A série seria uma criação de Jared Bush, co-diretor de Zootopia, que escreveria o roteiro do primeiro episódio e definiria o que nos Estados Unidos é conhecido como series bible, uma espécie de guia com todos os elementos da série, que os roteiristas usam como referência para escrever os episódios.

Na época em que assinou contrato, Luna estava filmando Narcos, o que fez com que a Disney decidisse começar a produção da série somente no final de 2019, quando ele já teria terminado. Nesse meio tempo, seria definido que o título da série seria Pilgrim ("peregrino", em inglês), Rick Famuyiwa, diretor de alguns episódios de The Mandalorian, primeira série de Star Wars do Disney+, seria anunciado como seu diretor, e Stephen Schiff seria escolhido como seu produtor executivo e showrunner. Durante as filmagens de Narcos, entretanto, Gilroy conversaria bastante com Luna, chegando a discutir detalhes da história. Ele conseguria uma cópia do roteiro de Bush, e acharia a relação entre Andor e K-2SO "limitada e claustrofóbica", escrevendo uma carta para Kennedy na qual dizia ter interesse em trabalhar na série e daria várias ideias para um melhor desenvolvimento da história. Kennedy ficaria interessada e chamaria Gilroy para uma conversa, da qual ela sairia tão satisfeita que convidaria Gilroy para reescrever o primeiro episódio e ser o chefe dos roteiristas, trabalhando diretamente com Schiff.

Gilroy acabaria substituindo tanto Schiff como showrunner quanto Famuyiwa como diretor em abril de 2020, acumulando as três principais funções da série - produtor, diretor e roteirista. A pré-produção estava marcada para começar ainda naquele mês em Londres, mas, por causa da pandemia, tudo teve de ser suspenso até setembro, quando a Disney finalmente teve autorização para filmar na Inglaterra. Residente em Nova Iorque, Gilroy não quis viajar com a equipe para Londres, e indicou Toby Haynes, de Doctor Who, Sherlock e Black Mirror para substituí-lo. Haynes acabaria dirigindo seis episódios, incluindo os três primeiros, com Susanna White dirigindo outros três, e Benjamin Caron - todos brtânicos - mais três, incluindo os dois últimos. Em dezembro de 2020, Kennedy anunciaria que a série teria 12 episódios, estrearia somente em 2022, e que seu título seria simplesmente Andor - embora parte do material promocional use Star Wars: Andor.

O roteiro dos três primeiros episódios e dos dois últimos seria de Gilroy, com outros três episódios sendo escritos por seu irmão, Dan Gilroy, outros três por Beau Willimon, de House of Cards, e um por Schiff. A primeira reunião da equipe de roteiristas, que contaria com a presença da produtora Sanne Wohlenberg e do designer de produção Luke Hull, duraria cinco dias (não contínuos) e, nela, Gilroy pediria à equipe que "colocasse de lado qualquer nostalgia que tivessem por Star Wars", o que ele achava que podia ser prejudicial para a série, e que evitassem o fan service, sem usar, por exemplo, personagens que não tivessem uma profunda conexão com a história apenas para que eles estivessem ali. Gilroy desejava que a série fosse acessível a qualquer um, não apenas aos fãs de Star Wars, e declararia em entrevistas que sua intenção fosse que os fãs pudessem assisti-la junto com seus amigos e família, mesmo que eles não tivessem interesse no restante da franquia.

Gilroy prepararia uma nova series bible, com cerca de 100 páginas, com a intenção de que a série fosse o mais ancorada na realidade possível - o que teria o efeito colateral de transformá-la na primeira produção de Star Wars sem nenhum jedi nem sabre de luz. Luna ficaria extremamente empolgado ao ler os primeiros roteiros, e declararia ser muito interessante estar em uma história da qual já se sabe o final. O ator sugeriria elementos para o passado do personagem nos quais havia pensado durante as filmagens de Rogue One, e se diria grato por Gilroy ter feito de Andor um refugiado, o que possibilitava um paralelo com sua própria história de imigrante e tornava o personagem importante para a comunidade latina nos Estados Unidos. Gilroy e Luna concordariam que a parte mais difícil seria explicar como alguém, voluntariamente, sem vaidade e sem buscar reconhecimento, sacrifica sua vida por um ideal, e que seria preciso construir a vida de Andor desde o início de uma forma que esse sacrifício parecesse natural e coerente.

Gilroy também diria repetidas vezes que não era sua intenção fazer da série um comentário político sobre a situação atual do planeta como um todo e dos Estados Unidos em particular, mas que não tinha controle sobre como cada espectador interpretaria determinadas cenas; de fato, muitos dos atos do Império foram interpretados como paralelos ou críticas a ações de governos da atualidade. Os roteiristas também tiveram o cuidado de mostrar os personagens do Império como tendo suas próprias vidas, ambições e opiniões, evitando o clichê "farei isso apenas por maldade"; a personagem Meero, por exemplo, é uma mulher tentando triunfar em um ambiente majoritariamente masculino, algo que Gilroy imaginou que faria com que parte das espectadoras se identificasse com ela, mesmo ela sendo do time dos vilões. Gilroy também faria questão de expandir o papel de Mon Mothma na Rebelião, para que os fãs deixassem de vê-la somente como a mulher que enviou Luke Skywalker para destruir a Estrela da Morte. Para construir sua personalidade, Gilroy partiria de uma cena que O'Reilly gravou para o Episódio III mas acabou não utilizada.

A série começa cinco anos antes da Batalha de Yavin, o clímax do Episódio IV, na qual a Estrela da Morte foi destruída, e, exceto por alguns flashbacks de sua infância, acompanha um ano da vida de Cassian Andor (Diego Luna), com histórias paralelas protagonizadas por Mon Mothma (Genevieve O'Reilly), senadora que secretamente financia uma rebelião contra o Império; Luthen Rael (Stellan Skarsgard), codinome Eixo, um dos líderes da rebelião, que finge ser comerciante de antiguidades; Syril Karn (Kyle Soller), inspetor do Império que tem uma vida absurdamente regrada e sonha subir na carreira; e Dedra Meero (Denise Gough), ambiciosa supervisora do Bureau de Segurança Imperial (BSI), que descobre que a rebelião está se formando, mas poucos acreditam nela, o que faz com que ela fique obcecada por descobrir a identidade de Eixo para encontrá-lo e prendê-lo. Outros personagens de destaque são Bix Caleen (Adria Arjona), mecânica que tem interesse romântico em Andor e contatos na rebelião; a mãe adotiva de Andor, Maarva (Fiona Shaw) e seu dróide, B2EMO (Dave Chapman); a mãe de Syril, Eedy (Kathryn Hunter); o marido de Mothma, Perrin Fertha (Alastair Mackenzie), que não sabe das atividades ilegais da esposa, e a filha do casal, Leida (Bronte Carmichael); Tay Kolma (Ben Miles), banqueiro e amigo de infância de Mothma; Davo Sculdun (Richard Dillane), milionário mau-caráter que Mothma manipula para financiar a rebelião sem seu conhecimento; o chefe do setor de Meero no BSI, Lio Partagaz (Anton Lesser); Lonni Jung (Robert Emms), supervisor do BSI que é na verdade um agente infiltrado por Luthen; Exmar Kloris (Lee Ross), espião do BSI que trabalha como motorista de Mothma; o torturador do BSI, Dr. Gorst (Joshua James); o Coronel Wullf Yularen (Malcolm Sinclair), líder do BSI; os amigos de Andor e Bix, Brasso (Joplin Sibtain), Timm Karlo (James McArdle) e Wilmon Paak (Muhannad Bhaier); e os rebeldes sob o comando de Luthen, Vel Sartha (Faye Marsay), Cinta Kaz (Varada Sethu), Karis Nemik (Alex Lawther), Arvel Skeen (Ebon Moss-Bachrach) e Kleya Marki (Elizabeth Dulau), essa última sua protegida, que posa como sua assistente na loja de antiuguidades. Participações especiais incluem Kino Loy (Andy Serkis), preso político que ajuda Andor na prisão; Ruescott Melshi (Duncan Pow), prisioneiro que escapa junto com Andor e se une à rebelião (e que estava em Rogue One, também interpretado por Pow); e Saw Gerrera (Forest Whitaker), que é amigo de Luthen e lidera um grupo paramilitar.

No início da série, Andor, que nutre um profundo desprezo pelo Império, que destruiu seu planeta natal, Kenari, leva a vida como ladrão e assassino de aluguel, tentando encontrar sua irmã desaparecida enquanto vende no mercado negro objetos que adquire ilegalmente em suas missões. Em uma dessas vendas, ele é abordado por Luthen, que tenta recrutá-lo para a rebelião sem sucesso. O quadro muda, entretanto, quando Andor é preso por engano, e se vê forçado a fugir da prisão ou permanecer lá durante o resto da vida; ao retornar ao planeta onde morava com os pais adotivos, ele vê mais atrocidades do Império, e acaba aceitando a proposta de Luthen, realizando tanto missões junto a outros rebeldes quanto empreitadas pessoais de Luthen, o que o transforma em um grande trunfo para o comerciante de antiguidades.

As filmagens começariam nos Estúdios Pinewood em novembro de 2020; Gilroy escreveria os roteiros dos três primeiros episódios de forma que a série se beneficiasse de sets enormes e cenas externas ao invés de fundos digitais aplicados sobre chroma key, o que faria com que Andor não utilizasse a tecnologia StageCraft, criada pela ILM para The Mandalorian. Todas as externas seriam filmadas na Inglaterra e na Escócia, com os locais escolhidos incluindo uma refinaria abandonada em Essex, o Barbican Centre, em Londres, a pedreira de Winspit, a represa de Cruachan, e, mais uma vez, a estação de metrô de Canary Wharf, além de um trerreno em Little Marlow onde cinco quarteirões inteiros de uma cidade cenográfica seriam montados para as filmagens. Devido aos protocolos em vigor durante a pandemia, que determinavam número máximo de pessoas em cada cena e exigiam, dentre outros procedimentos, medir a temperatura de todo o elenco antes de cada dia de gravações, Haynes sugeriria que os episódios fossem filmados em blocos de três, como se fossem quatro filmes aos invés de 12 episódios.

Andor estrearia no Disney+ em 21 de setembro de 2022, com os três primeiros episódos sendo lançados nesse dia e os demais um por semana, até 23 de novembro. Para tentar atrair mais audiência, após todos os episódios já estarem disponíveis no Disney+, a Disney exibiria os dois primeiros episódios no canal aberto ABC, nos canais a cabo FX e Freeform, e os disponibilizaria no serviço de streaming Hulu. A série seria a terceira mais assistida em streaming nos Estados Unidos em outubro, e a mais assistida do país em novembro, mas, em números totais, seria a menos assistida das séries de Star Wars, ficando atrás de The Mandalorian, O Livro de Boba Fett, Obi-Wan Kenobi e até mesmo de Ahsoka, que estrearia depois dela; as principais razões apontadas pelos críticos para esse desempenho seriam "fadiga da franquia", fan service insuficiente, e até mesmo que as críticas negativas a Obi-Wan Kenobi afastaram o público.

Contraditoriamente, a crítica ficaria encantada com Andor, que foi considerada "madura", "complexa" e "política", com muitos críticos considerando-a a melhor de todas as produções de Star Wars; um dos principais pontos positivos apontados seriam que ela mostrava a vida de pessoas comuns, "sem Solos, Skywalkers ou Palpatines", mas que também tinham importância nesse universo. Publicações especializadas, como a Variety, a elegeriam a melhor série de TV de 2022. Andor seria indicada a oito Emmys - Melhor Série de Drama; Melhor Direção para uma Série de Drama; Melhor Roteiro para uma Série de Drama; Melhor Fotografia para uma Série de TV de Uma Hora; Melhor Edição de Som para uma Série de TV de Uma Hora; Melhor Trilha Sonora Original para uma Série de TV de Drama; Melhor Canção Original de Abertura; e Melhores Efeitos Especiais para uma Temporada de Série ou Filme - e Luna receberia uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Ator em uma Série de TV de Drama.

Originalmente, a ideia de Gilroy era que a série tivesse cinco temporadas, cada uma abordando um ano, até a conclusão ligá-la diretamente aos eventos de Rogue One. Durante a produção da primeira temporada, entretanto, o próprio Gilroy chegaria à conclusão de que esse era um planejamento impossível, já que, devido ao alto nível de produção da série, seria inviável gravar uma temporada por ano, e impraticável que Andor ficasse no ar, com o mesmo elenco, durante dez ou doze anos. Em abril de 2022, o diretor de fotografia Adriano Goldman diria em entrevistas que a série teria três temporadas, e, um mês depois, a Disney faria o anúncio oficial de que uma segunda temporada havia sido confirmada, para estreia em 2024. Em dezembro, Gilroy declararia que, após uma reunião com Kennedy, ficaria definido que a segunda temporada seria a última, e que ela mostraria os principais eventos dos quatro anos restantes entre o final da primeira temporada e o início de Rogue One.

A segunda temporada teria mais 12 episódios, divididos em quatro blocos de três. O primeiro episódio começa um ano após os eventos do último da primeira temporada, e o último terminando quase que imediatamente antes do início de Rogue One, com cada bloco acompanhando os personagens durante alguns dias consecutivos, e começando um ano após o fim do bloco anterior. A trama principal da segunda temporada é o Império criando um pretexto para invadir e dominar o planeta Ghorman, única fonte conhecida de um mineral raro necessário para a construção de uma nova arma secreta, cuja mineração levará à destruição do planeta. Enquanto Andor realiza missões para Luthen, vemos o início da Aliança Rebelde, o estabelecimento de sua base em Yavin, como Andor se tornou parceiro de K2-SO, e os motivos que o levaram a aceitar a missão para roubar os planos da Estrela da Morte.

Novos personagens da segunda temporada incluem Orson Krennic (Ben Mendelsohn); K-2SO (Alan Tudyk); o Senador Bail Organa (Benjamin Bratt; Jimmy Smits não pôde repetir o papel devido a conflitos de agenda); Erskin Semaj (Pierro Niel-Mee), secretário de Mothma e espião de Luthen; Carro Rylanz (Richard Sammel), político de Ghorman que se opõe à ocupação do Império; Lezine (Thierry Godard), que planeja fundar uma célula da rebelião em Ghorman, da qual também faz parte a filha de Rylanz, Enza (Alaïs Lawson); o General rebelde Dravits Draven (Alistair Petrie), comandante da base de Yavin, que também estava em Rogue One; e o Capitão Kaido (Jonjio O'Neil), designado para botar em andamento o plano do Império em Ghorman. Enquanto traçava as diretrizes da segunda temporada, Gilroy pensaria em incluir o Imperador Palpatine em algum dos episódios, mas acabaria jamais encontrando o melhor momento; outra ideia abandonada seria incluir uma Leia adolescente, provavelmente acompanhando Organa em alguma sessão do Senado, o que Gilroy acabaria desistindo de fazer por achar que ela distrairia os espectadores da história do episódio - pelo mesmo motivo, Gilroy jamais consideraria uma aparição de Darth Vader, por achar que ele chamaria todas as atenções para si e desviaria o foco da série.

Tony Gilroy escreveria os três primeiros episódios, com os três do segundo bloco ficando a cargo de Beau Willimon, os três do terceiro com Dan Gilroy, e os três últimos sendo escritos por Tom Bissell. Originalmente, Tony Gilroy havia escrito também o nono episódio, que introduz K-2SO e seria um episódio fechado com clima de filme de terror, descartado porque iria estourar o orçamento da série; Dan Gilroy, então, reescreveria o episódio colocando nele o discurso de Mon Mothma no Senado, que ela faria apenas no décimo episódio. O'Reilly construiria o discurso junto com Tony Gilroy, que inicialmente havia pensado em escrever apenas trechos, que seriam mostrados em telas televisionando o discurso nos diferentes ambientes nos quais o episódio seria ambientado, com a atriz o convencendo a escrever e gravar o discurso inteiro, com os destaques televisionados sendo escolhidos durante a pós-produção. Para aproveitar o espaço no décimo episódio criado pela remoção do discurso, Tony Gilroy, impressionado com a atuação de Dulau na primeira temporada e não querendo que o relacionamento de Kleya e Luthen fosse alvo de especulação ou retratado erroneamente em produções futuras, escreveria cenas de flashback que mostravam como os dois se conheceram e por que mantinham sua parceria.

As filmagens mais uma vez ocorreriam com os episódios sendo filmados em blocos, como se fossem quatro filmes; os dois primeiros blocos seriam dirigidos por Ariel Kleiman, o terceiro por Janus Metz e o último por Alonso Ruizpalacios. As filmagens começariam em novembro de 2022 em Xàtiva e Valencia, na Espanha; a ideia era reutilizar várias das locações da primeira temporada, mas a pedreira de Winspit teve de ser descartada devido a risco de desabamento. A produção seria interrompida em maio de 2023 por causa da greve dos roteiristas, e só pôde ser retomada em janeiro de 2024, o que acabou empurrando a data de estreia da temporada para 2025.

A segunda temporada de Andor, que, no material promocional, se chamava Andor: A Star Wars Story, estrearia no Disney+ em 22 de abril de 2025, com três episódios sendo lançados por semana até 13 de maio. Seria a segunda série mais assistida no streaming nos Estados Unidos, atrás apenas da segunda temporada de The Last of Us. A estratégia de lançar três episódios por semana foi considerada um grande acerto, pois, diferentemente do que ocorreu na primeira temporada e com as séries Ahsoka e Skeleton Crew, cuja audiência foi caindo a cada semana, na segunda temporada de Andor a audiência foi crescente, com os três últimos episódios tendo os melhores números de toda a série.

A crítica mais uma vez seria extremamente positiva, com alguns críticos brincando que a única coisa ruim da segunda temporada era que não haveria uma terceira. A segunda temporada seria indicada a 14 Emmys, ganhando cinco: Melhor Roteiro para uma Série de Drama; Melhores Efeitos Especiais para uma Temporada de Série ou Filme; Melhor Produção para um Programa de Época ou de Fantasia de Uma Hora ou Mais; Melhor Edição de Imagem para uma Série de Drama; e Melhor Figurino para uma Produção de Fantasia ou Ficção Científica. As demais indicações seriam a Melhor Série de Drama; Melhor Direção para uma Série de Drama; Melhor Ator Convidado em uma Série de Drama (Whitaker); Melhor Dublagem de Personagem (Tudyk); Melhor Canção Original com Letra; Melhor Trilha Sonora Original para uma Série de TV de Drama; Melhor Edição de Som para uma Série de TV de Uma Hora; Melhor Mixagem de Som para uma Série de TV de Uma Hora; e Melhor Fotografia para uma Série de TV de Uma Hora.
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domingo, 7 de janeiro de 2024

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Star Wars Rebels

Hoje eu vou voltar ao universo de Star Wars, para falar sobre mais uma série animada. Hoje é dia de Star Wars Rebels no átomo!


Rebels seria a primeira série produzida após a Lucasfilm ser comprada pela Disney; querendo logo demarcar seu território, mas ainda sem querer produzir uma nova temporada de Clone Wars, a Disney conversaria com Dave Filoni, co-criador de Clone Wars e referência para todas as coisas relacionadas a Star Wars após a aposentadoria de Lucas, sobre a possibilidade de produzir uma série animada inédita, com novos personagens, mais leve e voltada para o público infanto-juvenil. Filoni aceitaria, mas daria um jeito de fazer as coisas mais a seu agrado, primeiro negociando maior controle criativo sobre os eventos da série, depois, paulatinamente, mudando o tom a cada episódio para que a série ficasse semelhante a Clone Wars, bem diferente da série infantil que a Disney planejava fazer.

A série também não teria o mesmo estilo de animação de Clone Wars, usando traços mais arredondados - o que, curiosamente, fez com que muitos considerassem que ela tinha um "visual infantil". Segundo Filoni, o estilo de animação de Rebels seria inspirado nas artes conceituais originais feitas por Ralph McQuarrie para o primeiro Star Wars, de 1977. A série seria criada por Filoni, Simon Kinberg e Carrie Beck, e originalmente teria como produtores Filoni, Kinberg e Greg Weisman, que sairia já após a primeira temporada. Ao final da segunda temporada, Filoni seria promovido, e passaria a supervisionar todos os projetos de animação da Lucasfilm; sem tempo, ele deixaria Rebels, escolhendo Justin Ridge para substituí-lo. Filoni voltaria para a quarta temporada, que teria como produtores ele, Kinberg e Ridge.

Rebels começa cerca de 15 anos após os eventos do Episódio III (A Vingança dos Sith) e termina simultaneamente aos eventos do Episódio IV (Uma Nova Esperança, aquele que, até bem pouco tempo atrás, se chamava só Guerra nas Estrelas), e mostra as sementes da Aliança Rebelde, várias células a princípio independentes, e que aos poucos vão se unindo, que se opõem à tirania do Império. Os personagens principais da série são um grupo de foras da lei (pelo menos da lei imperial) que se autodenominam Espectros, e usam sua nave, a Fantasma, para aplicar pequenos golpes no Império e fazer contrabando; conforme as missões dos Espectros vão ficando mais elaboradas, eles chamam a atenção do Esquadrão Fênix, um grupo de rebeldes bem organizado que planeja derrubar o Império e reestabelecer a República, aos qual eles se unem - alguns relutantemente.

O líder dos Espectros é Kanan Jarrus (voz de Freddie Prinze, Jr.), jedi que sobreviveu à Ordem 66 e passou a esconder seus poderes para não ser identificado pelo Império, fazendo pequenos roubos e contrabandos para sobreviver. Kanan é casado com a piloto da Fantasma, a twi'lek Hera Syndulla (Vanessa Marshall), filha do revolucionário Cham Syndulla, que estreou em Clone Wars lutando para libertar seu planeta natal, Ryloth, dos separatistas, e agora luta para libertá-lo do Império; apesar de ter opiniões bem diferentes das do pai, Hera se empolga por poder fazer parte de uma rebelião para salvar a galáxia. Outros integrantes da tripulação são a adolescente mandaloriana Sabine Wren (Tiya Sircar), que chegou a treinar na Academia do Império antes de se horrorizar com as práticas imperiais e decidir mudar de lado, é grafiteira e especialista em explosivos; e Garazeb Orrelios, apelido Zeb (Steven Blum), ex-integrante da guarda de honra dos lasat, espécie que foi praticamente exterminada pelo Império, que decidiu se unir aos Espectros para conseguir alguma forma de retaliação. Completa a equipe o dróide C1-10P, apelido Chopper (que faz uns barulhinhos parecidos com os de R2-D2, feitos pelo próprio Filoni), que acompanha Hera desde sua adolescência, e é extremamente competente em consertos, mas um tanto descuidado e teimoso. No primeiro episódio, os Espectros acolhem Ezra Bridger (Taylor Gray), menino órfão cujos pais faziam parte de uma rede de resistência à ocupação imperial no planeta Lothal, e que vive ele mesmo de pequenos golpes contra o Império. Impulsivo e impaciente, mas de bom coração, Ezra tem afinidade com a Força, e acaba convencendo Kanan a treiná-lo como seu padawan.

Rebels seria exibida originalmente no canal Disney XD, e teria uma espécie de pré-estreia, quatro curtas de 4 minutos cada, cada um centrado em um personagem (Hera, Sabine, Zeb e Ezra, respectivamente), que estreariam um por semana entre 11 de agosto e 1 de setembro de 2014, e apareceriam de repente durante os intervalos comerciais. A estreia oficial da série ocorreria em 3 de outubro de 2014 com um episódio especial de uma hora, mais tarde dividido em dois episódios de meia hora cada para as reprises. Contando com esses dois, a primeira temporada teria um total de 15 episódios, o último indo ao ar dia 2 de março de 2015. Na primeira temporada, os Espectros agem principalmente no planeta Lothal, fazendo negócios com o criminoso Cikatro Vizago (Keith Szarabajka), para quem roubam itens das bases do Império que ele mandará para fora do planeta, em troca de créditos ou informações. Os Espectros também recebem dicas de um informante misterioso conhecido apenas como Fulcrum, e se mantêm informados através dos pronunciamentos do Senador Gall Trayvis (Brent Spiner, o Data de Jornada nas Estrelas: A Nova Geração), que faz oposição ao Império e conclama os rebeldes a pegar em armas, informando os alvos mais fáceis de serem atacados.

O principal antagonista da primeira temporada é o Agente Kallus (David Oyelowo), um dos alunos de maior destaque da Academia Imperial, que recebe a missão de supervisionar todas as atividades do Império em Lothal. Outro oponente de respeito é o Grão-Inquisidor (Jason Isaacs), membro de uma ordem criada pelos Sith e devotada a caçar e exterminar todos os jedi sobreviventes, que passa a perseguir os Espectros após descobrir a verdade sobre Kanan. Oponentes de menor periculosidade incluem o Comandante Brom Titus (Derek Patridge); o Tenente Yogar Lyste (Liam O'Brien); dois oficiais do Império meio incompetentes que atuam em Lothal, o Comandante Cumberlayne Aresko e o Mestre de Armas Myles Grint (ambos com voz de David Shaughnessy); a Ministra Maketh Tua (Kath Soucie), responsável imperial pelo setor onde está Lothal; e o Almirante Kassius Konstantine (Dee Bradley Baker), comandante da frota imperial que circunda Lothal, impondo um bloqueio ao planeta. Dois vilões do cinema também fazem participações especiais em alguns episódios: o Grand Moff Tarkin (Stephen Stanton), que decide visitar Lothal pessoalmente após vários fracassos das tropas imperiais locais em deter os ataques dos rebeldes; e ninguém menos que Darth Vader (com voz de James Earl Jones e tudo), chamado a intervir no último episódio, quando a situação está fora de controle (para o Império).

Também no último episódio, Ahsoka Tano (Ashley Eckstein) convida formalmente os Espectros para se unir ao Esquadrão Fênix. O Senador Bail Organa (Phil LaMarr) também faz participações especiais em dois episódios, um deles contando com a presença de R2-D2 e C3-PO (Anthony Davies, em mais um passo para consolidar sua posição de único ator que participou de tudo o que existe de Star Wars). Outros personagens famosos a fazer participações especiais são Obi-Wan Kenobi (James Arnold Taylor), Yoda (Frank Oz) e Lando Calrissian (com voz de Billy Dee Williams, seu intérprete nos filmes). Personagens de destaque que participam apenas de um episódio incluem o rodiano Tseebo (Peter MacNicol), que trabalhou na resistência junto com os pais de Ezra e sabe de seu paradeiro; o contrabandista Azmorigan (James Hong), que faz negócios com Lando e quer comprar Hera como escrava; e o cadete imperial Jai Kell (Dante Basco).

A segunda temporada estrearia em 20 de junho de 2015 com mais um episódio especial de uma hora de duração, que mais uma vez seria dividido em duas partes para as reprises; o último episódio, que foi ao ar em 30 de março de 2016, também teria uma hora, e também seria posteriormente dividido em dois - contando com esses quatro, a segunda temporada teria um total de 22 episódios. Na segunda temporada, Vader se torna o principal antagonista, começando uma campanha de terror em Lothal para encontrar os rebeldes, e enviando dois novos inquisidores, conhecidos apenas como Quinto Irmão (Philip Anthony-Rodriguez) e Sétima Irmã (Sarah Michelle Gellar, a Buffy, a Caça-Vampiros), para encontrar Kanan e Ezra; enquanto isso, Ahsoka se torna uma Espectro não-oficial, participando das missões a bordo da Fantasma, e os Espectros se envolvem cada vez mais com a Rebelião, participando de missões em toda a Orla Exterior a serviço do Esquadrão Fênix. Além de Vader, Ahsoka, Kanan, Hera, Sabine, Zeb, Ezra e Chopper, os personagens que retornam da primeira temporada são o Agente Kallus, o Comandante Titus, o Tenente Lyste, a Ministra Tua, o Almirante Konstantine, Vizago e Yoda.

A segunda temporada teria a estreia de dois personagens de Clone Wars que se tornariam importantes para a história. Um deles é o Capitão Rex (Dee Bradley Baker), clone que lutou ao lado de Anakin e Ahsoka, que está velho, aposentado e um tanto fora de forma, mas se une à tripulação da Fantasma e ao Esquadrão Fênix a pedido da togruta. O segundo é Maul (Sam Witwer), que busca uma forma de se vingar dos Sith destruindo-os, cruza o caminho dos Espectros por acaso, e, sentindo o desequilíbrio de Ezra, tenta atraí-lo para o Lado Sombrio e fazer dele seu aprendiz, se tornando um vilão recorrente. Outro personagem de Clone Wars que estreia na segunda temporada é Hondo Ohnaka (Jim Cummings), ex-pirata e atual trambiqueiro que tenta dar pequenos golpes no Império para enriquecer, que faz amizade com Ezra e passa a dar dicas de missões para os Espectros - sempre importantes para os rebeldes, mas principalmente lucrativas para ele. A segunda temporada também marca a primeira aparição na série de Cham Syndulla (Robin Atkin Downes).

Outros personagens de destaque da segunda temporada são o droide AP-5 (Stephen Stanton), que trabalha fazendo o inventário de uma nave imperial, é salvo e levado para a rebelião por Chopper, com quem passa a ter uma dinâmica que espelha a de C3-PO e R2-D2; o Comandante Jun Sato (Keone Young), líder do Esquadrão Fênix; a caçadora de recompensas Ketsu Onyo (Gina Torres), amiga de infância de Sabine; Ryder Azadi (Clancy Brown), governador de Lothal na época da República, agora líder da principal célula rebelde do planeta; e Fenn Rau (Kevin McKidd), mandaloriano que lidera um grupo de elite chamado Protetores, que quer se manter neutro, não apoiando nem o Império, nem os rebeldes. Fazem participações especiais na segunda temporada o Imperador Palpatine (Sam Witwer), a Princesa Leia Organa (Julie Dolan), que tem um breve contato com os Espectros durante uma missão, e Anakin Skywalker (Matt Lanter), numa gravação assistida por Ahsoka. Também merecem ser citados o mon calamari construtor de naves Quarrie (Corey Burton), a mística lasat Chava (Grey DeLisle), e Yushin (Fred Tatasciore), que controla uma mina de gás do Império.

Entre a segunda e a terceira temporada haveria uma passagem de tempo que faria com que Ezra se tornasse um adolescente - com todas as coisas boas e ruins que isso proporciona. Assim como a segunda, a terceira temporada também começaria e terminaria com episódios especiais de uma hora, sendo que ela também teve um episódio especial de uma hora abrindo o ano de 2017; como de costume, esses três episódios viraram seis para as reprises, e, com eles, a temporada teria um total de 22, exibidos entre 24 de setembro de 2016 e 25 de março de 2017. A terceira temporada seria a primeira de Rebels a ser indicada a um Emmy, o de Melhor Programa Infantil, que perderia para O Natal da Vila Sésamo.

A principal novidade da terceira temporada é que os rebeldes conseguem montar uma base em um planeta distante, sem o conhecimento do Império, da qual conseguem executar suas missões com muito mais eficiência. Nesse planeta também mora Bendu (Tom Baker, de Doctor Who), que tem uma conexão íntima com a Força, e ajuda Kanan e Ezra a superar suas dificuldades - falando de maneira críptica, como todo bom mentor. A terceira temporada seria mais focada nos personagens originais da série, deixando de lado a trama envolvendo Vader e Ahsoka - que sequer aparecem.

A terceira temporada também traria para a série um dos maiores vilões da história de Star Wars, o Grão-Almirante Thrawn (Lars Mikkelsen). Da espécie chiss, que tem pele azul e olhos vermelhos, Thrawn foi criado por Timothy Zahn para o livro Herdeiro do Império, de 1991, ambientado após o Episódio VI (O Retorno de Jedi), no qual tentava reunir forças ainda leais ao Império para um ataque à Nova República. Thrawn também seria o antagonista nos dois livros seguintes de Zahn, Ascensão da Força Sombria, de 1992, e O Último Comando, de 1993; a popularidade do vilão seria tamanha - e provada pelo fato de que Herdeiro do Império também trazia a estreia de uma das jedi mais populares de todos os tempos, Mara Jade - que esses três livros passariam a ser conhecidos como Trilogia Thrawn. Um gênio da estratégia, que jamais perde a calma, e tem com único poder sua vasta capacidade de raciocínio, talvez somente equiparada à sua crueldade, Thrawn deixaria de ser um personagem oficial quando a Disney decidisse que nenhum dos livros de Star Wars era canônico; sua inserção em Rebels foi a forma encontrada por Filoni para que ele retornasse ao cânone. Em Rebels, Thrawn recebe pessoalmente do Imperador a missão de encontrar a base do Esquadrão Fênix e destruir a Rebelião, se tornando o comandante de todas as tropas do Império devotadas a essa tarefa.

Das temporadas anteriores retornam Kanan, Ezra, Hera, Sabine, Zeb, Chopper, Rex, AP-5, o Agente Kallus, agora promovido para a frota de Thrawn, o Almirante Konstantine, agora também parte da frota de Thrawn, o Comandante Titus, o Tenente Lyste, o Senador Organa, o Grand Moff Tarkin, o Comandante Sato, Hondo, Azmorigan, Cham Syndulla, Azadi, Fenn Rau e Maul. Um personagem dos filmes, Wedge Antilles (Nathan Kress), se une aos rebeldes nessa temporada, e tem um papel de certo destaque; Obi-Wan também volta a aparecer, agora com voz de Stephen Stanton. O episódio especial de janeiro de 2017 contaria com a presença de Saw Guerrera (Forest Whitaker), líder guerrilheiro agora parte da Rebelião, que havia estreado em Clone Wars, e, posteriormente, teria destaque nas produções Rogue One e Andor, também interpretado por Whitaker. Finalmente, é na terceira temporada que é mostrado como a Senadora Mon Mothma (Genevieve O'Reilly) se une à Rebelião.

Novos personagens da terceira temporada incluem Arihnda Pryce (Mary Elizabeth McGlynn), oficial do Império apontada para ser a governadora do sistema onde está Lothal; Vult Skerris (Mario Venazza), piloto do Império ás no comando de um caça TIE; o Capitão Slavin (André Sogliuzzo), líder das forças imperiais em Ryloth; Mart Mattin (Zachary Gordon), sobrinho adolescente do Comandante Sato e líder de um esquadrão de adolescentes rebeldes (em mais de um sentido) que se autodenominam Esquadrão de Ferro; o irmão de Sabine, Tristan (Ritesh Rajan), e sua mãe, Ursa Wren (Sharmila Devar); Gar Saxon (Ray Stevenson), mandaloriano escolhido pelo Império para ser o governador do setor onde fica Mandalore; o General rebelde Jan Dodonna (Michael Bell); e Derek Klivian, apelido Hobbie (Trevor Devall), amigo de Wedge que também se une à Rebelião. Um dos episódios é uma espécie de homenagem a Clone Wars, colocando Rex, Kanan e Ezra contra dróides separatistas (com voz de Matthew Wood, que também os dublava na série anterior) comandados pelo "super dróide táctico" General Kalani (Gregg Berger).

Para a quarta e última temporada retornariam Kanan, Ezra, Hera, Sabine, Zeb, Chopper, Rex, Ahsoka, Kallus, Thrawn, Tarkin, Titus, Pryce, Skerris, Vizago, o Senador Organa, Mon Mothma, Hondo, Ryder Azadi, Jai Kell, Mart, Ketsu, Fenn Rau, Wedge, Saw, Tristan, Ursa, Dodonna e o Imperador (agora com voz de Ian McDiarmid). Os novos personagens incluem Bo-Katan Kryze (Katee Sackhoff), regente de Mandalore antes da ocupação imperial; Alrich Wren (Cary-Hiroyuki Tagawa), o pai de Sabine; Tiber Saxon (Tobias Menzies), irmão de Gar e comandante das tropas imperiais em Mandalore; Rukh (Warwick Davis, o Willow), assassino de aluguel contratado por Thrawn para localizar e exterminar os Rebeldes; Seevor (Seth Green), capitão de uma nave da guilda de mineração; e Veris Hydan (Malcolm McDowell), ministro do Império que pesquisa um templo jedi em Lothal.

A quarta temporada, exibida entre 16 de outubro de 2017 e 5 de março de 2018, começaria com dois episódios duplos e terminaria com mais um; após eles serem divididos para as reprises, ela ficaria com 16. Nela, os Espectros se unem à força principal da Rebelião em Yavin, mas decidem atuar em uma arriscada missão paralela para libertar Lothal de uma vez por todas. A segunda metade da temporada ocorre simultaneamente aos eventos do Episódio IV, e, no final do último episódio, há uma passagem de tempo para mostrar como ficaram os Espectros e Lothal após a derrocada do Império no Episódio VI. A quarta temporada seria extremamente elogiada, e indicada a três Emmys, de Melhor Programa Infantil (que perderia mais uma vez para a Vila Sésamo, que ganhou com o especial The Magical Wand Chase), Melhor Composição Musical de Trilha Original Dramática para uma Série, e Melhor Edição de Som para uma Série de Comédia ou Drama de Meia Hora ou Série de Animação.

Mesmo sendo uma produção Disney, durante um bom tempo houve uma certa discussão sobre se Rebels fazia ou não parte do cânone de Star Wars - ou seja, se os eventos mostrados na série são oficiais para a história do universo. Essa dúvida acabou sendo debelada quando os personagens de Rebels começaram a aparecer em outras produções, sem sombra de dúvida canônicas. Chopper e a Fantasma, por exemplo, podem ser vistos brevemente em Rogue One, de 2016, no qual Hera é chamada (pelo sobrenome) em um alto-falante na base rebelde de Yavin; a Fantasma também apareceria na batalha final do Episódio IX (A Ascensão Skywalker), de 2019, no qual a voz de Freddie Prinze, Jr. (ou seja, de Kanan) é ouvida na cena em que os jedi do passado falam com Ray. Gar Saxon e Ursa Wren (mais uma vez dublados por Stevenson e Devar) aparecem em um dos episódios da sétima e última temporada de Clone Wars, em 2020, assim como um jovem Kanan, sem falas, que também aparece em Histórias dos Jedi, de 2022. Também em 2022, o Grão-Inquisidor (interpretado por Rupert Friend) e o Quinto Irmão (Sung Kang) participariam da série Obi-Wan Kenobi. Zeb aparece, feito por computação gráfica e dublado por Blum, em um episódio da terceira temporada da série The Mandalorian, de 2023, mesmo ano no qual jovens Kanan e Hera (ainda dublados por Prinze, Jr. e Marshall) participariam de três episódios da série The Bad Batch.

Mas a prova incontestável de que Rebels faz parte do cânone é a série Ahsoka, também de 2023, que traz Rosario Dawson no papel da protagonista, cuja primeira temporada é praticamente uma quinta temporada de Rebels, começando exatamente de onde ela parou e contando com a participação de Sabine (interpretada por Natasha Liu Bordizzo), Hera (Mary Elizabeth Winstead), Chopper (ainda com voz de Filoni), Ezra (Eman Esfandi) e Thrawn (Lars Mikkelsen, seu dublador na série), todos de vital importância para o enredo, além de participações especiais de Ryder Azadi (Clancy Brown, também seu dublador na série) e Jai Kell (Vinny Thomas) - curiosamente, Stevenson interpreta outro personagem na série, o jedi renegado Baylan Skoll, e não o mandaloriano Gar Saxon. A série tem um final aberto, mas até o momento não se sabe se haverá uma segunda temporada ou se a história continuará em um filme sem nome nem data de lançamento definida, mas que seria dirigido por Filoni - e, caso seja confirmado, tem tudo para ser um filme para o cinema de Rebels.
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domingo, 9 de outubro de 2022

Escrito por em 9.10.22 com 0 comentários

Clone Wars

Lá no primeiríssimo filme de Star Wars, aquele que hoje é conhecido como Episódio IV - Uma Nova Esperança, Obi-Wan Kenobi diz a Luke Skywalker que lutou ao lado de seu pai, Anakin, nas Guerras Clônicas. Provavelmente, na época, nem mesmo o próprio George Lucas fazia ideia do que seriam essas Guerras Clônicas, tendo inventado um nome legal apenas para explicar como Obi-Wan e Anakin se conheciam; entretanto, com o lançamento das "prequências", nas quais a história de Anakin seria contada em detalhes, seria necessário criar as tais Guerras Clônicas, para que ele e Obi-Wan lutassem lado a lado. Ao invés de fazer um filme sobre elas, Lucas preferiu determinar que elas ocorreram entre os eventos do Episódio II (apropriadamente chamado O Ataque dos Clones), quando os clones são apresentados, e o Episódio III, quando Anakin se rende ao Lado Sombrio e se transforma em Darth Vader (er... spoiler?). Obviamente, seria muita falta de consideração se as tais Guerras Clônicas, que os fãs estavam desde 1977 querendo saber o que eram, não tivessem sido mostradas em lugar nenhum; assim, Lucas decidiria criar uma série, aquela que é o tema do post de hoje. Porque hoje é dia de Clone Wars no átomo!


A primeira série de Clone Wars não foi criada, porém, para agradar aos fãs ou para preencher um buraco na continuidade, mas sim, acreditem ou não, para vender brinquedos. Insatisfeito que os brinquedos do Episódio II estavam vendendo pouco, Lucas procuraria a emissora Cartoon Network e negociaria a produção de uma série animada, para ver se mais crianças se interessariam pelos personagens, o que poderia alavancar as vendas. O Cartoon Network escolheria o animador Genndy Tartakovsky, de O Laboratório de Dexter e Samurai Jack, que discutiria os detalhes da série diretamente com Lucas. Os dois chegariam à conclusão de que, ao invés de uma série no modelo tradicional, com episódios de meia hora, Clone Wars funcionaria melhor como "pílulas", episódios de poucos minutos de duração exibidos durante a programação do Cartoon Network, nos intervalos comerciais ou entre um programa e outro. Embora isso fosse fazer com que ficasse mais difícil alguém conseguir acompanhar a série ou assistir todos, com certeza chamaria mais a atenção das crianças, que seriam expostos a Star Wars quando menos esperassem.

Assim, a primeira temporada de Clone Wars teve 10 episódios, cada um tendo entre 2 e 3 minutos de duração, exibidos entre 7 e 20 de novembro de 2003, sendo a primeira série de Star Wars a estrear na TV desde Ewoks, exibida entre 1985 e 1986. A série começa pouco após os eventos do Episódio II, e mostra Obi-Wan Kenobi (voz de James Arnold Taylor) sendo enviado para comandar um ataque ao planeta Muunilinst, sede do Banco Intergaláctico, que está financiando os separatistas comandados pelo Conde Dookan (Dooku no original, voz de Corey Burton) em sua luta contra a República, comandada pelo Chanceler Palpatine (voz de Nick Jameson), conflito esse que motivou a criação dos clones (que têm voz de André Sogliuzzo) e a tal Guerra dos Clones que dá título à série. Enquanto isso, Anakin Skywalker (voz de Mat Lucas) se despede de Padmé Amidala (voz de Gray DeLisle), com quem se casou em segredo, e parte para comandar as forças espaciais da República no front. A primeira temporada também mostraria aventuras de Mace Windu (voz de Terrence Carson), Yoda (voz de Tom Kane) e dos dróides R2-D2 e C-3PO (voz de Anthony Daniels, único ator a interpretar o mesmo personagem em todas as produções de Star Wars), e introduz uma personagem importante para o cânone, Asajj Ventress (que também tem voz de DeLisle; a maioria dos dubladores interpretava pelo menos dois personagens), discípula de Dookan.

A primeira temporada seria um sucesso, e motivaria a criação de uma segunda, com mais 10 episódios, dessa vez com entre 3 e 5 minutos cada, exibidos entre 26 de março e 8 de abril de 2004. A segunda temporada introduziria outro personagem importante, o General Grievous (voz de Richard McGonagle), que seria o vilão do Episódio III. Esses 20 primeiros episódios seriam condensados em um único filme, de cerca de 70 minutos de duração, chamado Star Wars: Clone Wars: Volume One (assim, mesmo, com dois pontos duas vezes), lançado em DVD em 2005 e atualmente disponível no catálogo do Disney+, que ganharia um Emmy de Melhor Programa de Animação.

Apesar de terem continuidade, os episódios das duas primeiras temporadas mostravam apenas aventuras corriqueiras das Guerras Clônicas; na terceira temporada, Lucas decidiria mostrar eventos canônicos que ocorreram entre os Episódios II e III, como, por exemplo, Anakin deixando de ser um padawan e se tornando um Cavaleiro Jedi. A terceira temporada teria cinco episódios de 12 minutos cada, exibidos à noite na forma de uma minissérie, ao invés de inseridos na programação, entre 21 e 25 de março de 2005. Esses episódios também seriam condensados em um filme de cerca de 60 minutos de duração chamado Star Wars: Clone Wars: Volume Two, também lançado em DVD em 2005 e atualmente disponível no catálogo do Disney+, e que ganharia dois Emmys, o de Melhor Programa de Animação e o de Melhor Animador, para Justin Thompson. A terceira temporada acaba imediatamente antes dos eventos do Episódio III, fazendo com que essa série de Clone Wars seja uma ponte entre os dois filmes.

Além de todo o sucesso em termos de audiência, essa primeira série de Clone Wars também conseguiu o intuito pretendido por Lucas, de aumentar a venda de brinquedos - e aumentou tanto que, entre 2003 e 2005, a Hasbro lançou uma nova série de brinquedos especificamente inspirada na série, com o nome de Clone Wars e incluindo personagens novos como Ventress e Grievous; entre 2004 e 2007, a Dark Horse Comics, que, na época, tinha os direitos para a publicação de revistas em quadrinhos de Star Wars, também publicaria uma série chamada Clone Wars Adventures, com desenhos no estilo dos da série animada - que, por falar nisso, tinha o estilo característico de Tartakovsky, até lembrando Samurai Jack em alguns momentos.

A Warner Bros., dona do Cartoon Network, ficaria tão satisfeita com a série que proporia a Lucas a produção de uma nova, dessa vez em computação gráfica. A Lucasfilm chegaria a fazer alguns trechos de episódios, ambientados após Anakin se tornar um Cavaleiro Jedi, mas desconsiderando os eventos do último episódio da série anterior, para que a nova série ainda pudesse ser ambientada entre os Episódios II e III; ao ver esses trechos, Lucas ficaria tão satisfeito que pediria à Warner para que, ao invés de em uma nova série, eles fossem usados em um filme de animação para o cinema. Após mais algumas negociações, ficaria acertado que seria lançado um filme para o cinema que serviria de piloto para uma nova série, que estrearia no mesmo ano.

Dirigido por Dave Filoni, que se tornaria a referência para todas as coisas relacionadas a Star Wars após a aposentadoria de Lucas, e chamado simplesmente Star Wars: The Clone Wars, o filme estrearia em 15 de agosto de 2008, após uma pré-estreia cinco dias antes, se tornando o primeiro filme de animação para o cinema ambientado no universo de Star Wars e a primeira produção de Star Wars a não ser distribuída pela Fox, já que a distribuição foi feita pela Warner - a série animada anterior, apesar de exibida pelo Cartoon Network, foi lançada em DVD pela Fox, se tornando, também, a primeira produção daquele canal a ser lançada por esse estúdio. No filme, Anakin (agora com voz de Matt Lanter) ganha sua própria padawan, a togruta Ahsoka Tano (voz de Ashley Eckstein), e recebe uma estranha missão: o filho de Jabba, o Hutt, foi sequestrado, e cabe a Anakin e Ahsoka encontrá-lo. O sequestro, na verdade, foi um plano do Conde Dookan (voz de Christopher Lee, seu intérprete nos filmes) e do tio de Jabba, Ziro (voz de Corey Burton), que colocaram a culpa do sequestro nos Jedi, para que Jabba se volte contra a República e passe a apoiar os separatistas.

Enquanto Anakin e Ahsoka tentam encontrar o pequeno Hutt sequestrado, o que inclui um confronto com Ventress (voz de Nika Futterman), Obi-Wan (ainda com voz de Taylor) é enviado a Tatooine para tentar convencer Jabba de que a República não está envolvida no sequestro, e Amidala (voz de Catherine Taber), acompanhada de C-3PO (ainda com voz de Daniels), decide investigar Ziro. O filme também conta com a presença de Yoda (ainda com voz de Kane), Mace Windu (voz de Samuel L. Jackson, seu intérprete nos filmes), Palpatine (voz de Ian Abercrombie) e R2-D2; Dee Bradley Baker substitui Sogliuzzo como a voz dos clones, e Matthew Wood faz a voz dos dróides separatistas, que também havia feito nos filmes. Hayden Christensen e Ewan McGregor, intérpretes, nos filmes, respectivamente, de Anakin e Obi-Wan, chegaram a cogitar dublar seus personagens, mas tiveram de desistir por conflitos de agenda.

O filme e a série à qual ele daria origem ficariam conhecidos pelo estilo único de sua animação, criado a pedido de Lucas, que não queria que os personagens fossem nem tão realísticos quanto os de Beowulf, nem tão estilizados quanto os de produções da Pixar como Os Incríveis, pedindo à equipe de produção que encontrasse um tom entre um anime e séries de marionetes como Thunderbirds. Também a pedido de Lucas, seriam usados ângulos de câmera, técnicas de iluminação e tomadas como se a série estivesse sendo feita com atores - ou seja, sem que nenhuma imagem fosse feita de um local onde seria impossível uma câmera estar - para maior realismo. O filme seria um grande sucesso de público - com orçamento de 8,5 milhões de dólares, renderia 35 milhões só nos Estados Unidos - mas um gigantesco fracasso de crítica, que o consideraria feio, confuso, pouco inspirado e nada mais que um caça-níqueis que tentava faturar sobre o sucesso de Star Wars e abrir caminho para a série que o seguiria. O filme seria indicado ao prêmio Framboesa de Ouro de Pior Sequência, Remake ou Spin-Off, o qual "perderia" para Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal.

Apesar disso, a série já estava em produção, e, com o nome de Star Wars: The Clone Wars, estrearia no Cartoon Network pouco depois do filme, em 3 de outubro de 2008, com uma primeira temporada de 22 episódios, o último indo ao ar em 20 de março de 2009. Lanter, Eckstein, Taylor, Daniels, Taber, Baker, Kane, Abercrombie, Futterman e Wood repetiriam seus papéis do filme, enquanto Burton e Carson retornariam aos papéis de Dookan e Windu, respectivamente. Personagens da série que não estavam no filme que lhe serviu de piloto incluíam Jar Jar Binks (voz de Ahmed Best, também seu intérprete nos filmes) e Grievous (agora com voz de Matthew Wood, que também foi seu intérprete no Episódio III). Outros personagens de destaque introduzidos na primeira temporada foram os jedi Plo Koon (voz de James Arnold Taylor), Kit Fisto (voz de Phil LaMarr), Aayla Secura (voz de Jennifer Hale) e Luminara Unduli (voz de Olivia d'Abo); os vilões Nate Gunray (voz de Tom Kenny) e Wat Tambor (voz de Matthew Wood); o pirata Hondo Ohnaka (voz de Jim Cummings); os caçadores de recompensas Aurra Sing (voz de Jaime King) e Cad Bane (voz de Corey Burton); o senador Onaconda Farr (voz de Dee Bradley Baker); e o twi'lek Cham Syndulla (voz de Robin Atkin Downes), que lidera uma rebelião contra os separatistas em seu planeta natal. Vale citar também os "clones de destaque", o Capitão Rex e o Comandante Cody, que teriam papéis importantes ao longo da série.

A primeira temporada era feita de episódios autocontidos (com início, meio e fim), que mostravam várias batalhas das Guerras Clônicas. Cada episódio tinha meia hora (incluindo os comerciais), e algumas histórias se estendiam por dois ou três episódios; as histórias não eram sequenciais, e, no início de cada episódio, após o título da série e uma frase motivacional - no melhor estilo Star Wars, a série não tem abertura, com o elenco e equipe técnica sendo listados no final - um narrador (com voz de Tom Kane) fazia uma recapitulação dos eventos que levaram até aquele ponto, tendo sido eles mostrados em outros episódios ou não. Vale citar que o episódio de estreia da série é até hoje o recorde de audiência do Cartoon Netwrok nos Estados Unidos.

A segunda temporada teria o subtítulo de Rise of the Bounty Hunters ("a ascensão dos caçadores de recompensas") e traria mais 22 episódios, exibidos entre 2 de outubro de 2009 e 30 de abril de 2010, com os dois últimos exibidos no mesmo dia, em um especial de uma hora de duração. A maioria dos episódios traz como antagonistas os caçadores de recompensas, especialmente Cad Bane; os episódios agora tinham arcos de história que podiam durar até cinco deles, sendo o principal o que envolvia o planeta Mandalore, que se manteve neutro durante a Guerra, mas cuja governante, a Duquesa Satine Kryze (voz de Anna Graves), um antigo interesse amoroso de Obi-Wan, teve de pedir ajuda aos jedi para lidar com uma rebelião comandada por Pre Vizsla (voz de Jon Favreau). A segunda temporada também introduziria na série Boba Fett (voz de Daniel Logan), ainda criança e querendo vingança contra Mace Windu por ter matado seu pai; outros personagens de destaque introduzidos na segunda temporada foram Rush Clovis (voz de Robin Atkin Downes), antigo namorado de Amidala, que agora trabalha para os separatistas, o vilão Almirante Trench (voz de Dee Bradley Baker), a padawan Barriss Offee (voz de Meredith Salenger) e os jedi Ki-Adi Mundi (voz de Brian George) e Adi Gallia (voz de Angelique Perrin).

A terceira temporada teria o subtítulo de Secrets Revealed ("segredos revelados"), e começaria com um episódio especial duplo, de um total de 22, exibidos entre 17 de setembro de 2010 e 1 de abril de 2011. Curiosamente, quase todos os episódios dessa temporada mostravam eventos ocorridos em paralelo aos de outros episódios das duas anteriores, ou seja, cronologicamente, eles não ocorriam em sequência, e sim intercalados com os episódios já exibidos - os dois primeiros, por exemplo, eram ambientados imediatamente antes dos eventos do quinto episódio da primeira temporada. Novos personagens da terceira temporada são a jedi Shaak Ti (voz de Tasia Valenza); o senador Bail Organa (voz de Phil LaMarr); o Capitão Tarkin (voz de Stephen Stanton), que, no futuro, serviria ao Império como Grand Moff; Lux Bonteri (voz de Jason Spisak), filho de uma senadora separatista que se interessa romanticamente por Ahsoka; Madre Talzin (voz de Barbara Goodson), líder da ordem religiosa à qual pertencia Ventress antes de se tornar discípula de Dookan; Savage Opress (voz de Clancy Brown), irmão de Darth Maul; e os clones Echo e Fives, que também teriam papéis importantes nos episódios futuros. Chewbacca faz uma participação especial no último episódio, e Liam Neeson faz a voz de Qui-Gon Jinn em uma sequência de sonho. A terceira temporada também ficaria conhecida por ser mais "diplomática", com vários episódios trazendo tramas políticas envolvendo o Senado e negociações com os separatistas, ao invés de aventuras dos jedi.

A quarta temporada teria o subtítulo de Battle Lines ("linhas de batalha"), também começaria com um episódio duplo, e retomaria a ordem cronológica normal, com 22 episódios exibidos entre 16 de setembro de 2011 e 16 de março de 2012. Após a introdução de Savage, Lucas pediria a Filoni que desse um jeito de introduzir Maul na série, o que o diretor a princípio achou impossível, já que ele tinha morrido cortado ao meio por Obi-Wan no Episódio I. A solução encontrada por Filoni foi fazer com que Maul tivesse sobrevivido em um planeta-lixão, usando partes robóticas para refazer a metade de baixo de seu corpo, mas se tornando insano no processo; após ser encontrado por Savage e ter sua sanidade restaurada por Talzin, Maul decide se vingar de Obi-Wan, traçando também um plano para se tornar uma espécie de chefão do crime intergaláctico, sem depender mais de ninguém para sua sobrevivência. Esse arco de história acontece nos dois últimos episódios da temporada, que têm o título na cor vermelha ao invés de amarela. Além de Maul (que tem voz de Sam Witwer), a quarta temporada traz uma nova personagem importante, a mandaloriana Bo Katan (voz de Katee Sackhoff, que também interpretaria a personagem na série The Mandalorian); os três primeiros episódios também contariam com a presença de um jovem Capitão Ackbar (voz de Artt Butler), antes de se tornar Almirante e ajudar a Rebelião. Outros personagens novos de destaque são o jedi Pong Krell (voz de Dave Fennoy) e o criminoso Moralo Eval (voz de Stephen Stanton).

A quinta temporada não teria subtítulo, e seria a última exibida pelo Cartoon Network; para todos os efeitos, ela também seria a última de todas, e, para isso, seu último episódio teria um marco importante, com Ahsoka deixando de ser uma jedi. A quinta temporada teria apenas 20 episódios, exibidos entre 29 de setembro de 2012 e 2 de março de 2013; quatro desses episódios são protagonizados por um esquadrão de dróides, chamado D-Squad, do qual R2-D2 faz parte, e têm o título na cor azul ao invés de amarelo. Novos personagens de destaque incluem os irmãos Steela (voz de Dawn-Lien Gardner) e Saw Gerrera (voz de Andrew Kishino), que lideram uma rebelião em um planeta separatista; o Coronel Meebur Gascon (voz de Stephen Stanton), líder do D-Squad; e os dróides WAC-47 (voz de Ben Diskin), parte do D-Squad, e Huyang (voz de David Tennant), que ajuda jovens jedi em treinamento a montar seus primeiros sabres de luz. Com o falecimento de Abercrombie, a voz de Palpatine passaria a ficar a cargo de Tim Curry. A quinta temporada receberia sete indicações ao Emmy, ganhando dois prêmios: o de Melhor Programa Animado Classe Especial e o de Melhor Interpretação em um Programa Animado, pela atuação de Tennant; as outras cinco indicações seriam a Melhor Direção em um Programa Animado, Melhor Mixagem de Som em um Programa Animado, Melhor Direção Musical e outras duas ao de Melhor Interpretação em um Programa Animado, para Cummings e Witwer.

O cancelamento da série se daria não por opção de Lucas, da Warner ou do Cartoon Network, e sim da Disney, que, após comprar a Lucasfilm, interromperia a produção de tudo o que fosse relacionado a Star Wars. Inicialmente, a Disney determinaria que nada do então chamado Universo Expandido, que incluía séries animadas, livros e histórias em quadrinhos, era canônico, com apenas os eventos mostrados nos seis filmes para o cinema sendo considerados a história oficial da saga; ainda em 2013, porém, ela voltaria atrás, e decidiria que o filme e a série em computação gráfica de Clone Wars também eram considerados canônicos - mas a série de Tartakovsky não, o que significa que, para a história de Star Wars, ela nunca aconteceu.

Quando a Disney cancelou a série, a Lucasfilm já estava trabalhando em roteiros e pré-produção de alguns episódios que poderiam ser usados na quinta temporada, ou até mesmo em uma possível sexta temporada, caso o série estivesse sendo renovada. Após voltar atrás e determinar a reintrodução de The Clone Wars no cânone, a Disney pediria para que a Lucasfilm começasse a produção da sexta temporada, mas, não querendo negociar com a Warner, que considerava uma rival, preferiu negociar com a Netflix. Assim, a sexta temporada, que tinha o subtítulo de The Lost Missions ("as missões perdidas"), e teria apenas 13 episódios, estrearia no sistema de streaming em 7 de março de 2014, com todos os episódios estando disponíveis no mesmo dia.

Curiosamente, a sexta temporada também foi pensada para ser a última, e, por isso, aos episódios que já estavam em pré-produção, foram acrescentados mais três, previstos para fechar a série, na qual Yoda, seguindo a voz de Qui-Gon Jinn, descobre o segredo que permite aos jedi usar a força para continuar se comunicando com seus colegas após a morte; o último episódio conta com a participação especial de Mark Hamill como a voz de Darth Bane, o fundador dos Sith, que aparece para Yoda em espírito. Também é nessa temporada que os jedi descobrem que o Conde Dookan, além de ser o líder dos separatistas, é o Sith conhecido como Darth Tyranus. A sexta temporada receberia oito indicações ao Emmy, ganhando mais uma vez o prêmio de Melhor Programa Animado Classe Especial; as demais seriam de Conquista Individual Notável em Animação, Melhor Mixagem de Som em um Programa Animado, Melhor Edição de Som em um Programa Animado, Melhor Roteiro de um Programa Animado, Melhor Direção em um Programa Animado, Melhor Direção Musical, e Melhor Interpretação em um Programa Animado, para Hamill.


Em 2018, a Disney surpreenderia e anunciaria uma nova temporada de The Clone Wars para seu serviço de streaming próprio, o Disney+, onde também estariam disponíveis o filme e as seis temporadas anteriores. A sétima temporada teria o subtítulo de A Temporada Final (The Final Season no original, talvez para não deixar dúvidas de que era a última mesmo; a terceira vez é a que conta) e teria 12 episódios, lançados um por semana entre 21 de fevereiro e 4 de maio de 2020. A principal novidade da sétima temporada seria a estreia dos Malfeitos, um esquadrão de clones com habilidades únicas, resultado de modificações genéticas feitas durante sua criação, chamados Hunter, Wrecker, Tech e Crosshair. Outros dois novos personagens de destaque foram as irmãs contrabandistas Trace (voz de Brigitte Kali Canales) e Rafa Martez (voz de Elizabeth Rodriguez). A sétima temporada seria indicada a apenas um Emmy, o de Melhor Mixagem e Edição de Som para um Programa Animado, o qual ganharia.

Os quatro últimos episódios, que começam com o logotipo clássico da Lucasfilm, têm título vermelho ao invés de amarelo, e não contam com a mensagem motivacional nem com a recapitulação feita pelo narrador, acontecem paralelamente aos eventos do Episódio III, e mostram Ahsoka enfrentando Maul em Mandalore, enquanto os clones cumprem a Ordem 66 e o Império começa a substituir a República. A batalha final entre Ahsoka e Maul foi filmada usando a técnica de captura de movimentos, com Lauren Mary Kim servindo de modelo para Ahsoka, e Ray Park, seu intérprete no Episódio I, para Maul. Nesses episódios, trechos de falas do Episódio III proferidas por Silas Carson (Ki-Adi Mundi), Ian McDiarmid (Palpatine), Samuel L. Jackson (Mace Windu) e Hayden Christensen (Anakin) são usadas para esses respectivos personagens. A série termina com Anakin já transformado em Vader, e Ahsoka partindo para um local incerto.

Depois disso, pelo jeito, as Guerras Clônicas acabaram de vez, e The Clone Wars não teria mais temporadas. A série ganharia, entretanto, um spin-off, Star Wars: The Bad Batch, que acompanha as aventuras dos Malfeitos, agora mercenários e fugitivos, durante os primeiros dias do Império. A primeira temporada estreou em maio de 2021, e a segunda está prevista para janeiro de 2023, ambas no Disney+. Mas isso já é assunto para outro post.
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domingo, 19 de setembro de 2021

Escrito por em 19.9.21 com 0 comentários

Jogos de Tabuleiro Licenciados

Alguns jogos de tabuleiro possuem versões licenciadas, ou seja, versões nas quais seus elementos tradicionais são substituídos por equivalentes relacionados a um filme, série ou outro tema qualquer. Embora eu tenha citado algumas dessas versões nos respectivos posts sobre seus jogos originais, nunca me animei a falar sobre elas porque, convenhamos, não iria terminar nunca.

Já há algum tempo, porém - desde que escrevi o terceiro post da série sobre War, pra ser mais exato - eu venho pensando em escrever sobre uma versão licenciada do Risk que eu comprei e da qual gostei muito. Ao escrever o terceiro post da série sobre Carcassonne, fiquei na dúvida se incluía ou não um de seus spin offs que também era uma versão licenciada, e aí acabei tendo a ideia para esse post. Assim como fiz com War e Carcassonne, hoje veremos três jogos, mas, nesse caso, três versões licenciadas de três jogos diferentes. Talvez haja algumas outras versões licenciadas melhores ou mais legais por aí, mas meus critérios para escolha foram bem simples: eu tenho todos os três, e são os únicos três jogos de tabuleiro licenciados que eu tenho.

Monopoly Cthulhu


Nenhum jogo de tabuleiro tem tantas versões quanto Monopoly, e o motivo é muito simples: basta decorar o tabuleiro, mudar os nomes das propriedades, os tokens com os quais os jogadores se movem no tabuleiro, talvez as denominações do dinheiro, e voilà, temos um Monopoly temático. Isso também é relativamente fácil, mas um pouco mais complicado, de se fazer com Risk, que tem muitas versões, mas é um jogo de guerra, e ficaria meio bizarro um Risk: My Little Pony ou Risk: The Beatles. Já com Monopoly, o fato de que o tema do jogo é compra e venda de propriedades pouco interessa, taca uns nomes de uns planetas lá e faz um Monopoly Star Wars, mesmo que não faça o menor sentido comprar um planeta e cobrar aluguel de quem passar por lá só porque ele tem três casas construídas.

Idiossincrasias à parte - e mesmo não sendo, na minha opinião, um jogo muito bom - Monopoly é um jogo absurdamente popular, o que significa que suas versões licenciadas sempre vendem bem. Por causa disso, estima-se que já existam mais de 3.600 delas, embora, evidentemente, nem todas estejam à venda em todos os países nesse momento. E olha que nessa lista não entram três tipos de versões do jogo: as com regras diferentes, como, por exemplo, Monopoly Arcade, Monopoly Velocidade e Ms. Monopoly; as que têm elementos diferentes, mas usam as mesmas regras do original, como Monopoly Cartão Eletrônico, Monopoly Ultimate Banking e Monopoly Júnior; e aquelas que são apenas "traduções", como a versão brasileira, que tem nomes de ruas e bairros do Rio de Janeiro e São Paulo no tabuleiro e cartas escritas em português. Também não entram os "clones", como o nosso Banco Imobiliário, que, apesar de ter (quase) as mesmas regras, não é considerado um Monopoly.

Também é importante dizer que nem todas as versões de Monopoly foram fabricadas pela Hasbro, atual fabricante do jogo original (que, quando foi lançado, era fabricado pela Parker Brothers, comprada pela Hasbro em 1991); a maioria delas foi fabricada por uma empresa norte-americana que tem o bizarro nome de USAopoly, que possui uma licença especial da Hasbro para fabricar versões licenciadas não somente do Monopoly, mas também do Risk e de alguns outros jogos da empresa, como Clue e Trivial Pursuit. Atualmente, do catálogo oficial da Hasbro nos Estados Unidos, constam dez versões: Monopoly Ghostbusters, Monopoly Game of Thrones, Monopoly Marvel 80 Years, Monopoly Fortnite, Monopoly Stranger Things, Monopoly L.O.L. Surprise!, Monopoly Star Wars 40 Years, Monopoly Star Wars Mandalorian Edition, Monopoly Disney Princesses e Monopoly Junior Frozen II Edition. Já o site da USAopoly lista outras 21: Monopoly Elf, Monopoly Godzilla, Monopoly National Parks Edition, Monopoly Dungeons & Dragons, Monopoly Breaking Bad, Monopoly The Goonies, Monopoly Garbage Pail Kids, Monopoly Disney The Nightmare Before Christmas, Monopoly Bob Ross Edition, Monopoly Scooby-Doo, Monopoly Spongebob Squarepants, Monopoly Naruto Shippuden, Monopoly It, Monopoly Disney Lilo & Stitch, Monopoly The Simpsons, Monopoly Beetlejuice, Monopoly Rick and Morty, Monopoly My Hero Academia, Monopoly Metallica World Tour Edition, Monopoly Friends e Monopoly Disney Theme Parks Edition. Ao longo dos anos, centenas de outras versões foram lançadas tanto pela Hasbro quanto pela USAopoly, com algumas se tornando muito famosas e cobiçadas pelos colecionadores, como Monopoly Kiss, Monopoly The Wizard of Oz, Monopoly Star Trek Continuum Edition e Monopoly Coca-Cola.

Uma dessas versões, fabricada pela USAopoly e que não se encontra mais à venda (mas que também não é tão cobiçada pelos colecionadores assim) é o Monopoly Cthulhu, lançado em 2015, e que substitui as propriedades por criaturas das histórias de H.P. Lovecraft. Como eu já disse, não acho Monopoly um jogo muito bom, e pra dizer a verdade não jogo nunca, mas, quando vi esse vendendo na Amazon, na época em que ainda era possível comprar importados nesse país, decidi que teria um na minha coleção, nem que fosse só por ter.

Antes de começar, preciso falar rapidinho que Monopoly tem duas regras diferentes em relação ao Banco Imobiliário (já que foram as regras do Banco Imobiliário que eu expliquei no meu post sobre ele): primeiro, enquanto Banco Imobiliário só tem um montinho de cartas, o de Sorte/Revés, Monopoly tem dois, o de Sorte (chamado em inglês de chance) e o de Cofre (em inglês, community chest), cada um com casas específicas nas quais o jogador, se cair, tira uma carta do monte apropriado. Basicamente, cartas de Cofre dão ou tomam dinheiro do jogador, enquanto cartas de Sorte influenciam em seu movimento, como, por exemplo, mandando que ele avance até uma determinada propriedade - embora algumas cartas de Sorte também deem ou tirem dinheiro do jogador. No meio das cartas de Sorte também estão a cobiçada Saída Livre da Prisão e a temida "Vá para a Prisão sem receber nada". O que a Estrela fez foi pegar todas as cartas de Sorte e Cofre, juntar tudo num baralho só, chamar as que são favoráveis ao jogador de Sorte e as desfavoráveis de Revés. Em segundo lugar, enquanto Banco Imobiliário tem seis companhias de transporte (aviação, viação, táxi, táxi aéreo, navegação e ferroviária), cujo aluguel é o resultado da jogada de dados que levou ao infortúnio de cair ali multiplicado por quatro, Monopoly tem quatro Estações de Metrô, nas quais o aluguel depende de quantas estações pertencem ao mesmo dono, e duas companhias, a Elétrica e a de Saneamento Básico, que, aí sim, o aluguel é o resultado dos dados multiplicado por quatro - mas, se o mesmo jogador for dono de ambas, é o resultado multiplicado por dez.

Pois bem, diferentemente dos outros jogos desse post, Monopoly Cthulhu não tem absolutamente nada de diferente em relação a um Monopoly comum, exceto as mudanças cosméticas necessárias para que ele se torne um jogo temático. As regras são absolutamente as mesmas, sem nenhuma adição ou variação. As principais mudanças são que as Cartas de Sorte se chamam Cartas de Sanidade (Sanity), as Cartas de Cofre se chamam Cartas de Conhecimento (Knowledge), e, ao invés de dinheiro, temos Pontos de Insanidade (Insanity Points) - nas mesmas denominações que o dinheiro do Monopoly original, com todas as "propriedades" tendo os mesmos custos. As casinhas, de cor preta, segundo o manual, são criptas, e os hotéis, de cor dourada, são mausoléus, mas também não têm nenhuma diferença em relação às casinhas e hotéis de um jogo normal.

O tabuleiro, em compensação, tem uma arte belíssima, com as casas trazendo figuras escabrosas das criaturas, também presentes em seus títulos de propriedade. No mundo do jogo, você não "compra" uma criatura, e sim se torna um cultista devotado a ela, pagando-a em pontos de insanidade (deveria ser pontos de sanidade, porque aí quem perde todos fica maluco e sai do jogo, mas tudo bem); a partir de então, jogadores que caiam naquela casa têm de pagar tributo com pontos de insanidade para o jogador que primeiro a descobriu, que, por sua vez, após ter todas as de um grupo (divididos por cores, como no Monopoly original), pode erigir criptas e mausoléus para ela (aparentemente sacrificando vítimas), para aumentar seu poder.

As criaturas, divididas por grupos, são: Azathoth e Cthulhu (azul escuro), Byarkhee, Hunting Horror e Wilbur Whateley (azul claro), Dagon, Yig e Hastur (amarelo), Night Gaunt, Deep One e Ghast (rosa), Rhan-Tegoth, Ghatanothoa e Nodens (vermelho), Elder Things, Shoggoth e Mi-Go (laranja), Shub-Niggurath, Yog-Sothot e Nyarlathotep (verde), Brotherhood of the Yellow Sign e Men of Leng (marrom). Ao invés das Estações de Metrô temos a viagem por barco (Boat), por automóvel (Autmobile), por trem (Train) e pelo mundo dos sonhos (Dreamscape Travel), e ao invés das Companhias Elétrica e de Saneamento Básico temos a Miskatonic University e o Insane Asylum, com as mesmas regras. No lugar da Taxa de Riqueza e do Imposto de Renda temos a taxa de pesquisa (Research Fee) e a taxa de investigação (Investigation Fee). A Prisão, a Parada Livre e a temida casa Vá para a Prisão são iguaizinhas, assim como o Ponto de Partida. Os tokens são temáticos, e representam a Adaga de Dagon, o Amuleto do Cão, a Estatueta de Cthuhlu, o Necronomicon, a Tabuleta dos Cultistas e o Trapezoedro Brilhante.

Antes de terminar, é preciso dizer que nem todas as versões de Monopoly são temáticas de cultura pop, também existindo as temáticas de esportes, representando times do futebol europeu, das ligas norte-americanas (como NBA ou NFL), ou até mesmo as próprias ligas e campeonatos (como o Monopoly World Cup, que às vezes é lançado como produto licenciado da FIFA durante uma Copa do Mundo de Futebol). Na minha opinião, porém, as versões mais interessantes são as que têm como tema uma país, região ou cidade. Normalmente, essas versões só são colocadas à venda no local que representam (se for sobre uma cidade, na cidade em questão; se for um país, no país do qual é tema) e costumam ser compradas não somente pelos moradores locais, mas por turistas interessados em um souvenir e colecionadores que rodam o mundo atrás delas - muitas vezes também vendidas por tempo limitado, algumas dessas versões costumam valer fortunas para os colecionadores. Aqui mesmo já tivemos um Monopoly Brasil, atualmente fora de catálogo, no qual as propriedades representavam pontos turísticos do nosso país, como o Cristo Redentor, Fernando de Noronha e a Chapada dos Veadeiros, escolhidos através de uma votação no site da Hasbro; e vários países europeus, como Alemanha, França e Rússia, têm suas versões nacionais nas quais não somente cada propriedade representa uma cidade diferente daquele país como também os tokens são temáticos (como um pretzel no da Alemanha, um galo no da França ou uma matrioshka no da Rússia).

Em relação às cidades, os campeões são os Estados Unidos, com 42 Monopolys tendo sido lançados representando cidades de lá, seguido do Reino Unido, com 23, e da Alemanha com 18; a maioria dos Monopolys são de cidades europeias, mas algumas outras de destaque, como a Cidade do Cabo, na África do Sul, Tóquio, no Japão, Buenos Aires, na Argentina, e Melbourne, na Austrália, também têm ou já tiveram Monopolys próprios. Um Monopoly de cidade normalmente tem como propriedades os principais pontos de interesse dela, como prédios históricos, estádios esportivos, monumentos e pontos turísticos. Também vale citar o já esgotado Monopoly Edição Mundial, vendido em vários países, incluindo o Brasil, que contava com uma cidade diferente em cada uma de suas propriedades, novamente escolhidas por votação, e, nos países cujas cidades ficaram de fora, vinha com adesivos para substituir duas do tabuleiro por cidades nacionais, bem como seus respectivos títulos de propriedade - a edição vendida no Brasil, por exemplo, vinha com adesivos para colocar Rio de Janeiro e São Paulo no tabuleiro. Eu sei que foi votação, mas o tabuleiro, sem os adesivos, tem três cidades do Canadá (Vancouver, Toronto e Montreal) e duas da China (Pequim e Xangai). Talvez tivesse sido melhor limitar a uma cidade por país, para ficar mais variado.

Risk Doctor Who: The Dalek Invasion of Earth


Assim como Monopoly, Risk tem muitas versões - não tantas, já que não existem as versões de esportes, cidades ou países, e, como já foi dito, nem tudo da cultura pop se encaixa em um jogo de guerra. Sem contar as com regras diferentes, como as que eu já citei nos meus posts sobre War (e sem citar os "clones", como o próprio War), todas as versões temáticas de Risk já produzidas foram fabricadas pela USAopoly, que aparentemente tem um monopólio (desculpem o trocadilho) na produção de Risks temáticos. Atualmente, do catálogo da USAopoly, só constam duas versões, Risk Warhammer 40.000 e Risk Game of Thrones, mas, no passado, já foram produzidos, por exemplo, Risk Star Trek, Risk Transformers, Risk Halo Wars, Risk Starcraft e, o único que eu comprei, Risk Doctor Who, lançado em 2014.

Diferentemente de algumas outras versões (Risk Transformers tem um mapa de Cybertron, Risk Game of Thrones tem um mapa de Westeros), Risk Doctor Who tem um mapa da Terra mesmo, com os mesmos continentes e territórios do Risk original. Isso porque, como o subtítulo do jogo atesta, os Daleks estão invadindo a Terra - o que significa que os exércitos controlados pelos jogadores são exércitos de Daleks. Disponíveis em cinco cores e duas versões diferentes (os de cor cinza, mostarda e preta são mais redondinhos, os de cor amarela e laranja são mais quadradinhos), existem Daleks pequenos que representam um exército cada e Daleks grandes que representam três exércitos cada. Os Daleks são bonitinhos e cheios de detalhes, mas duas coisas eu considero incompreensíveis: primeiro, os mostarda e os amarelos são quase da mesma cor, não custava nada, ao invés de mostarda, terem feito verdes, vermelhos ou azuis; segundo, os grandes são idênticos aos pequenos em todos os aspectos exceto o tamanho, diferentemente do que ocorre em outras versões de Risk. Esses dois detalhes causam uma certa confusão na hora do jogo, e poderiam ter sido melhor pensados.

Ao contrário do que ocorre com Monopoly, todas as versões de Risk possuem algumas regras novas - no caso de Risk Doctor Who, evidentemente, essas regras incluem elementos relacionados a personagens e eventos da série. Por isso, além dos Daleks, das 42 cartas de território, dos três dados de ataque (pretos), dos dois dados de defesa (vermelhos), e, evidentemente, do tabuleiro, o jogo traz 15 cartas de Poder, 10 cartas de Missão, uma TARDIS de plástico e um marcador de papelão com a figura de Clara Oswald - que era a companion do Doutor na época em que o jogo foi lançado. Além disso, no tabuleiro, há uma faixa com 11 casas, cada uma mostrando uma das regenerações do Doutor, a primeira com William Hartnell, a última com Matt Smith. No início do jogo, o marcador de Clara é colocado na primeira casa dessa faixa, e cada jogador recebe duas cartas de Missão e três cartas de Poder.

A maior parte das regras é idêntica às de um jogo de Risk normal: em sua vez de jogar, jogadores recebem novos Daleks, incluindo bônus que tenham direito por controlar territórios ou continentes, de acordo com tabelas impressas no tabuleiro; podem atacar territórios controlados pelo oponente que estejam ligados aos seus por fronteiras ou linhas pontilhadas; podem mover Daleks entre seus territórios; pegam uma carta de território se tiverem conquistado pelo menos um; e podem trocar cartas de território por mais Daleks. As duas diferenças aqui estão nessas trocas, pois cada carta de território tem uma ou duas estrelas, e é o número total de estrelas que determina quantos Daleks o jogador vai receber na troca, sendo necessário pelo menos duas estrelas (e, portanto, sendo possível trocar uma única carta), e no fato de que é possível atravessar territórios com os Daleks na hora de mover (ao invés de só poder movê-los para o imediatamente adjacente), desde que os territórios se comuniquem de forma contínua. Um jogador que fique sem Daleks é eliminado, e o que o eliminou recebe todas as suas cartas de território, Missão e Poder. O jogo termina quando sobra um único jogador no tabuleiro (que será o vencedor) ou quando o Doutor esgota todas as suas regenerações, quando o jogador que tiver mais territórios será o vencedor - havendo empate, ganha o que tiver mais exércitos.

No início de sua vez e jogar, cada jogador revela a carta do topo da pilha de territórios, e coloca a TARDIS no território correspondente à carta revelada; se essa carta tiver a figura de Clara, o Doutor gasta uma regeneração, com o jogador devendo mover o marcador uma casa na faixa das regenerações. Como foi dito, assim que Clara alcança a última casa, o jogo termina, com os pontos sendo contados - em outras palavras, o jogo vai durar no mínimo dez turnos, caso todo mundo revele cartas com Clara na sua vez de jogar. A TARDIS fica no território sorteado até o fim da vez daquele jogador, quando a carta de território será colocada no fundo da pilha, e o jogador seguinte sorteará um novo destino para o Doutor. Quando a TARDIS está parada em um território, nenhuma ação pode acontecer envolvendo aquele território, ou seja, o jogador que controla o território não pode atacar territórios a partir dele, mover Daleks dele, para ele, nem passando por ele - em compensação, ninguém pode atacar um território no qual a TARDIS esteja.

Cartas de Missão funcionam como mini-objetivos, que rendem Daleks de bônus ao jogador que conseguir cumpri-las. Existem no total dez cartas de Missão, e, no início do jogo, cada jogador recebe duas delas. Cada carta de Missão possui um vilão da série e um bônus de dois ou três Daleks. Dez dos territórios do tabuleiro, sendo 4 da Europa, 3 da América do Norte, 2 da Ásia e 1 da África, têm as figuras correspondentes a esses vilões: Rússia (Ice Warrior), Europa do Sul (vampiras), Europa Ocidental (Salamander), Grã-Bretanha (Cybermen), Mongólia (Tegana), China (Yeti), Oeste dos Estados Unidos (The Silence), Leste dos Estados Unidos (Weeping Angels), México (Aztecas) e Egito (Sutekh). No início de sua vez de jogar, quando for ganhar os Daleks a que tem direito, se um jogador controla um território correspondente a uma de suas cartas de Missão, ele pode descartar essa carta e ganhar os Daleks listados nela. Um jogador não é obrigado a usar uma carta de Missão, podendo guardá-la para o futuro, mas só pode usá-la se controlar o território necessário na sua vez de receber Daleks.

Cada jogador também recebe, no início do jogo, três cartas de Poder. Assim como as cartas de Missão, ele não é obrigado a jogá-las, podendo jogar todas as três, só duas, só uma, ou nenhuma. Existem 15 cartas de Poder diferentes, cada uma representando um evento ocorrido em algum episódio da série, e cada uma delas traz escrito, em letras amarelas, o momento certo de jogá-la, que pode ser quando o jogador estiver atacando um oponente, quando o jogador for atacado por um oponente, após o jogador rolar dados em um combate, quando um oponente jogar uma Missão, no início de sua vez de jogar, ou no final de sua vez de jogar. Após jogar uma carta de Poder, o jogador obedece ao efeito que está escrito nela, em letras brancas, que pode ser mudar o resultado de um dado, receber mais exércitos, ou outra coisa qualquer.

Para terminar, a lista dos continentes e territórios. América do Norte (laranja, 9): América Central, Leste dos Estados Unidos, Oeste dos Estados Unidos, Leste do Canadá, Ontário, Alberta, Territórios do Noroeste, Alasca e Groenlândia. América do Sul (vermelho, 4): Brasil, Venezuela, Peru e Argentina. Europa (azul claro, 7): Grã-Bretanha, Islândia, Europa Ocidental, Norte da Europa, Sul da Europa, Escandinávia e Rússia. África (marrom, 6): Norte da África, Egito, Leste da África, África Central, África do Sul e Madagascar. Ásia (verde, 12): Oriente Médio, Afeganistão, Índia, China, Sudeste Asiático, Mongólia, Japão, Irkutsk, Ural, Sibéria, Yakutsk e Kamchatka. Austrália (deveria ser Oceania, mas no tabuleiro está escrito Austrália, azul escuro, 4): Leste da Austrália, Oeste da Austrália, Indonésia e Nova Guiné.

Carcassonne Star Wars


Diferentemente de Monopoly e Risk, Carcassonne não tem muitas versões licenciadas - pra dizer a verdade, Carcassonne Star Wars, lançada em 2015 pela Hans im Glück, é a única. Também é a única desse post que foi lançada aqui no Brasil, pela Devir, embora, até onde eu saiba, no momento esteja fora de catálogo. Curiosamente, apesar de licenciado, o jogo foi criado por Klaus-Jürgen Wrede, o criador do Carcassonne original, que, provavelmente, é fã de Star Wars.

Assim como nos outros spin offs de Carcassonne, as regras são as mesmas do jogo original, com algumas adições e modificações. Pra começar, ao invés de estradas temos rotas comericiais, ao invés de cidades temos campos de asteroides, ao invés de campos temos o espaço sideral, e ao invés de monastérios temos planetas. O jogo traz 76 cartelas para compor o tabuleiro, sendo que uma delas é a cartela inicial e já começa o jogo na mesa, virada pra cima, enquanto as outras 75 são embaralhadas e formarão duas ou mais pilhas, com a face para baixo, das quais os jogadores comprarão para formar o tabuleiro. Em sua vez de jogar, cada jogador compra uma peça e a adiciona ao tabuleiro, colocando-a a o lado de uma peça que já está lá de forma que um de seus lados toque essa outra peça na horizontal ou vertical, nunca na diagonal, e sempre "encaixando" os elementos (rota com rota, campo com campo, espaço com espaço); se isso não for possível, ele descarta essa peça e compra outra.

Após colocar uma peça no tabuleiro, se quiser, o jogador pode colocar um seguidor nela. Cada jogador começa o jogo com cinco seguidores pequenos e um grande; um dos pequenos é usado para marcar os pontos, sendo colocado no tabuleiro de pontuação, e os outros quatro, junto com o grande, vão para a reserva do jogador. Uma curiosidade de Carcassonne Star Wars é que os seguidores são divididos em Aliança Rebelde, Império Galáctico e Caçadores de Recompensa, e contam com decalques com a figura de personagens de Star Wars. A facção e o decalque de cada seguidor depende de sua cor, com as cores disponíveis sendo vermelho (Luke Skywalker, Rebeldes), verde (Yoda, Rebeldes), preto (Darth Vader, Império), branco (Stormtrooper, Império) e laranja (Boba Fett, Caçadores). Após escolher sua cor, cada jogador também recebe uma Carta de Personagem, que serve para lembrar aos outros qual é sua facção.

Ao colocar no tabuleiro uma peça que tenha uma rota comercial, um jogador pode colocar um seguidor nela como mercador. Todas as regras normais de Carcassonne se aplicam, ou seja, não é permitido colocar um seguidor sobre uma rota que já tenha outro seguidor, mas é possível que mais de um seguidor fique na mesma rota após ela ser completada, porque um jogador colocou uma cartela que uniu duas rotas incompletas. Uma rota é completada quando ambos seus lados estão fechados, ou seja, quando estão tocando um planeta, campo de asteroides ou bifurcação. Nesse momento, o jogador que tem um mercador na rota, independentemente de se foi ele quem jogou a peça que completa a rota ou não, ganha um ponto para cada carta que compõe a rota, pega seu seguidor de volta e o coloca em sua reserva. Algumas cartas de rota também possuem símbolos de facção nas rotas, que rendem ao jogador dois pontos adicionais por símbolo, não importando se os símbolos são da mesma facção que o jogador ou não.

Ao colocar no tabuleiro uma peça que tenha um campo de asteroides, um jogador pode colocar um seguidor nela como explorador; mais uma vez, todas as regras normais se aplicam. Um campo de asteroides se completa quando está cercado por espaço sideral por todos os lados, e não tem nenhum espaço vazio (sem cartela) em seu anterior; nesse momento, o jogador que tiver um explorador nesse campo ganha dois pontos para cada carta que compõe o campo, mais dois pontos para cada símbolo de facção dentro do campo, pega de volta o seguidor e o coloca de volta em sua reserva. Antes que eu esqueça, é bom dizer que o tabuleiro de pontuação só vai até 50, então quem tem menos de 50 pontos coloca o seguidor nele de pé, e quem passa de 50 coloca deitado, para não confundir.

Ao colocar no tabuleiro uma peça que tenha um planeta, um jogador pode colocar um seguidor nela como conquistador; um planeta é completado quando sua cartela estiver cercada por todos os lados, na horizontal, vertical e diagonal, com outras cartelas, quando valerá nove pontos, mais dois para cada símbolo de facção na cartela do planeta. Planetas seguem duas regras especiais: primeiro, um jogador que coloque uma cartela no tabuleiro tocando a cartela do planeta, na horizontal, vertical ou diagonal, pode, ao invés de colocar o seguidor na cartela recém-colocada, colocá-lo na cartela do planeta. Segundo, diferentemente das rotas comerciais e campos de asteroides, é permitido colocar um seguidor seu num planeta que já tenha um seguidor de outro jogador.

Uma regra especial de Carcassonne Star Wars é a das batalhas, nas quais são usados seis dados que acompanham o jogo, três verdes e três vermelhos. Toda vez que acontecer de haver seguidores de mais de uma facção em uma mesma rota comercial, campo de asteroides (porque alguém jogou uma peça que conectou dois ou mais incompletos) ou planeta (porque um jogador usou as regras especiais citadas no parágrafo anterior), ocorre uma batalha pela posse do domínio disputado: para cada um dos seguidores pequenos que tiver em uma rota comercial, campo de asteroides ou planeta disputado, o jogador terá direito a rolar um dado; cada símbolo da mesma facção que o jogador na rota, dentro do campo ou na cartela do planeta dá direito a mais um dado; e o seguidor grande dá direito a dois dados ao invés de um - não importa quantos seguidores ou símbolos o jogador tenha, porém, o máximo de dados que ele vai jogar é sempre três. Cada jogador envolvido na batalha rola os dados a que tem direito (sendo possível jogadores diferentes rolarem dados da mesma cor) e anota apenas o maior valor que conseguir. O jogador que tiver o menor valor dentre esses anotados ganha um ponto para cada dado que rolou, mas terá de tirar seu seguidor do domínio e devolvê-lo à sua reserva. Caso haja empate, todos os empatados ganham um ponto cada, e rolam seus dados novamente. Uma batalha continua até que sobre apenas um jogador na rota, campo ou planeta.

É importante ressaltar que a batalha só ocorre se os seguidores forem de facções diferentes; se houver seguidores de mais de um jogador numa rota comercial, campo de asteroides ou planeta, mas todos forem da mesma facção, o jogo segue normalmente, e, na hora de calcular a pontuação, são usadas as regras normais de Carcassonne: ganha os pontos o jogador que tiver mais seguidores, com todos os empatados ganhando o mesmo número de pontos em caso de empate. Antes que alguém pergunte, em Carcassonne Star Wars não é possível colocar seguidores no espaço sideral, então, a rigor, não há um equivalente para os campos do jogo original.

No fim do jogo, cada rota comercial e campo de asteroides incompleto vale um ponto para cada cartela que os compõem, e cada planeta vale um ponto por sua própria cartela mais um ponto para cada cartela que a esteja tocando na horizontal, vertical ou diagonal; assim como na pontuação durante o jogo, cada símbolo de facção numa rota, campo de asteroides ou na cartela de um planeta vale dois pontos a mais. Ganha o jogador com mais pontos, sendo possível o jogo terminar empatado. Carcassonne Star Wars também tem uma regra de jogo em equipes, para quatro jogadores, no qual cada dupla joga com uma facção (uma dupla com os jogadores usando os seguidores vermelhos e verdes, outra usando os pretos e brancos) e os pontos dos dois jogadores de cada dupla sendo somados para determinar a facção campeã. Durante as batalhas, cada equipe só pode rolar no máximo três dados, ficando uma equipe com os dados vermelhos e a outra com os verdes.

Carcassonne Star Wars teve uma expansão, lançada na Alemanha em 2016 com o nome de Carcassonne Star Wars - Erweiterung 1 (Erweiterung significa "extensão"), e que acrescentava uma quarta facção, a Primeira Ordem. Essa expansão trazia 18 novas cartelas, onze delas com o símbolo da Primeira Ordem; seis novos seguidores, cinco pequenos e um grande, na cor azul e com o decalque de Kylo Ren; uma carta de facção para a Primeira Ordem; seis fichas de pontuação dupla-face, uma para cada jogador, com um 50 de um lado e um 100 do outro (com o jogador recebendo sua ficha ao alcançar 50 pontos e virando-a ao alcançar 100, somando o valor da ficha à sua pontuação final, o que eliminava a necessidade de deitar os seguidores no tabuleiro de pontuação); um dado amarelo; e doze tokens, seis representando blasters e seis representando sabres de luz (um de cada para cada jogador). Ao colocar um seguidor no tabuleiro, o jogador pode colocar junto um desses tokens (mas não ambos), que, durante uma batalha, representam vantagens: um jogador que tenha um seguidor com o sabre de luz adiciona 1 ao seu maior resultado, e um seguidor com blaster, ao invés do dado normal, rola o dado amarelo, que tem números entre 3 e 8 ao invés de entre 1 e 6.

Série War

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Série Carcassonne

Carcassonne Star Wars


Banco Imobiliário / Monopoly

Monopoly Cthulhu
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